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Petistas já admitem nome de outro partido para 2018

Lula tem defendido internamente a renovação da direção em todos os níveis da CNB . Foto: William Volcov Brazil Photo Press Folhapress

Dirigentes petistas e do Instituto Lula admitiram nesta quinta-feira (13) a possibilidade de lançamento de um candidato de outro partido para a disputa presidencial de 2018, especialmente se nascido de uma frente ampla.Ao comentar entrevista do presidente do PDT, Carlos Lupi, à Folha de S.Paulo, petistas reconheceram que faz sentido a informação do pedetista de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria aberto a um nome de outro partido.

Um colaborador de Lula chegou a lembrar que o plano original de Lula era de lançar a candidatura do governador Eduardo Campos (PSB-PE) em 2018, morto em um acidente aéreo durante a campanha eleitoral de 2014.Ainda segundo petistas e colaboradores de Lula, não está descartado o nome do pedetista Ciro Gomes (PDT) para a corrida presidencial, desde que avalizado pela frente a ser constituída.

Presidente do PT de São Paulo, Paulo Fiorilo afirma que essa é uma hipótese, mas “ainda cedo” para definições.Outro dirigente petista repete a ideia de prematuridade da discussão. Mesmo admitindo a tendência de lançamento de nome fora do PT, esse petista reclama do tom adotado por Lupi. O pedetista disse que o PT tem que “cair na real” e recuar para se dedicar a sua restruturação.

Esse é o discurso do próprio Lula durante reuniões partidárias. Porém, na opinião de alguns petistas, Lupi não precisava ser tão explicito, já que prega a unificação da esquerda.

Divisão

Em mais uma demonstração da divisão partidária, cinco tendências do PT realizam nesta segunda-feira (17) ato pela troca imediata do comando do partido. O movimento “Muda PT” -que inclui pelo menos 25 deputados federais e dois senadores- acontecerá na sede do partido, em Brasília.

A manifestação é uma resposta à Construindo um Novo Brasil (CNB), maior força interna do partido, que programa a mudança de sua direção para o primeiro semestre do ano que vem.Embora seja o líder da CNB, Lula tem defendido internamente a renovação da direção partidária em todos os seus níveis. A CNB não concorda.

No dia 27 deste mês, o diretório estadual do PT no Rio Grande do Sul fará também um ato pela antecipação das eleições internas, com realização de um congresso partidário ainda este ano.Além da presença do ex-ministro Tarso Genro, defensor do que chama de “refundação” do PT, o manifesto do Rio Grande do Sul terá assinatura também de membros da CNB, tendência integrada por Lula.

Ainda hoje, o diretório nacional do PT mantém na lista de integrantes petistas detidos na Operação Lava Jato, como os ex-tesoureiros João Vaccari Neto e Paulo Ferreira.

As tendências Articulação de Esquerda, Avante S21, Esquerda Popular Socialista, Mensagem ao Partido e Militância Socialista compõem o movimento, convocado sob o título “Mudar o PT é decisivo para a luta pelo Fora Temer e contra a retirada de direitos”.

“Diante da gravidade deste ataque à democracia e à classe trabalhadora, defendemos que o Partido dos Trabalhadores convoque imediatamente o seu 6º Congresso, um congresso que tenha plenos poderes para ouvir a base do partido, mudar seus rumos e sua direção. É com este sentido de urgência que defendemos que o PT deve lutar para reconquistar o apoio da classe trabalhadora renovando sua estratégia, programa, organização e direção partidária”, diz o documento de convocação do movimento, após descrever uma análise de conjuntura.”

Um dos organizadores do movimento, o secretário de formação do PT, Carlos Henrique Árabe, diz que o grupo cresce e se mostra necessário.”Sabemos que tem a simpatia de Lula”, disse.

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