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Pesquisas eleitorais levam dólar à maior cotação em dois anos e meio

Pesquisas eleitorais levam dólar à maior cotação em dois anos e meio
Dólar terminou o dia cotado a R$ 3,958, alta de R$ 1,07%. Foto: Gabriel Cabral/Folhapress

O dólar fechou ontem (20) no maior patamar em mais de dois anos, em meio ao nervo­sismo de investidores com o ce­nário eleitoral brasileiro. A moeda subiu 1,07% an­te o real e terminou cotada a R$ 3,958. Em 1º de fevereiro de 2016, fechou a R$ 3,962.

À tarde, chegou a ultrapassar R$ 3,97, horas após pesquisa encomendada pela Confe­deração Nacional do Transporte (CNT) mostrar que o ex-pre­sidente Lula, candidato do PT ao Palácio do Planalto, lidera as intenções de voto, com a prefe­rên­cia de 37,3% dos eleitores ouvidos na pesquisa estimulada.

Em segundo lugar, Jair Bolsonaro (PSL) registrou 18,3%. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, atingiu 4,9%, atrás de Marina Silva (Rede), com 5,6%.

Ante a son­dagem anterior, de maio, tanto Lula quanto Bolsonaro cresceram, após terem registrado 32,4% e 16,7%, respectivamente. Alckmin tam­bém avançou, mas analis­tas apontam que ainda não con­se­guiu sair da casa dos 4%, frus­trando o mercado, que o vê co­mo candidato mais reformis­ta.

“Houve grande fluxo de saída de investidores estrangeiros que pode explicar a pressão adicional à tarde”, disse Mau­ricio Nakahodo, economista do Banco MUFG Brasil.

Segundo analistas, investidores não só repercutiram o resultado da CNT, como também buscavam proteção na expectativa da pesquisa Ibope, divulgada na noite de ontem, com o mercado fechado. Pelo Ibope, Lula também lidera, com 37% das intenções de votos, seguido por Bolsonaro (18%), Marina (6%), Ciro (5%) e Alckmin (5%).

Operadores observam que incomoda também entre investidores a falta de perspectivas claras de vitória do tucano em um eventual segundo turno.
O CDS (credit default swap, termômetro do risco-país) avançou 1,19%, para 243,79 pontos.

Lá fora, o viés não era tão favorável para emergentes. A lira turca caiu 1,72% em relação ao dólar, após o presidente da Turquia, Recep Erdogan, subir o tom nacionalista e afirmar que a crise cambial no país se assemelha a ataques religiosos.

Ainda assim, o contágio foi limitado. Das 31 principais divisas do mundo, apenas duas, além do real e da própria lira, perderam força ante o dólar: o peso argentino (-0,27%) e o rublo russo (-0,11%).

Em dia mais tranquilo no cenário externo, o dólar se desvalorizava ante uma cesta de moedas também após o presidente dos EUA, Donald Trump, reclamar da política de alta de juros do Federal Reserve (banco central americano). Taxas de ju­ros maiores nos EUA fortale­cem o dólar ao atrair fluxo de capital para o país e vice-versa.

O Ibovespa, índice que reú­ne as ações mais negociadas no Brasil, seguiu alinhado com o exterior e avançou 0,39%, a 76.328 pontos. Após a divulgação da pesquisa CNT/MDA, chegou a tocar 75.607 pontos.

O cenário eleitoral afetou negativamente empresas estatais, como Petrobras (-0,54%) e Banco do Brasil (-2,66%). A alta do minério de ferro na China, porém, garantiu o viés positivo da Vale (+1,26%), empresa com maior peso no Ibovespa, e demais siderúrgicas.

A pesquisa CNT/MDA foi realizada entre os dias 15 e 18 deste mês e ouviu 2.002 pessoas, em 137 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais, com 95% de nível de confiança. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09086/2018.

A pesquisa do Ibope foi realizada entre os dias 17 e 19, ouviu 2002 eleitores em 142 cidades. A margem é de 2 pontos porcentuais. A pesquisa está registrada no TSE sob número BR-01665/2018.

 

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