Economia, Notícias

Permanência da GM é maior ‘presente’ no 142º aniversário de São Caetano

Permanência da GM é maior 'presente' no 142º aniversário de São Caetano
Planta é responsável por 8,5 mil postos de trabalho com carteira assinada. Foto: Arquivo

A população de São Caetano levou um susto no dia 19 de janeiro deste ano quando veio a público o comunicado distribuído pelo presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, a seus funcionários dando conta da possibilidade de a empresa deixar o Brasil caso não voltasse a ter lucro em suas operações no país ainda este ano. Acostumada a ter a fábrica da GM no quintal desde 1930, quando a planta foi formalmente inaugurada, a cidade se viu ameaçada de perder a “galinha dos ovos de ouro”, responsável por 8,5 mil postos de trabalho com carteira assinada e pouco mais de 5% do orçamento municipal, algo em torno de R$ 80 milhões anuais.

Seis meses depois do comunicado, a permanência da montadora em São Caetano ao menos até 2024 ainda é, certamente, motivo de muita comemoração – e de alívio – neste fim de semana, quando o município completa 142 de fundação. Afinal, os acordos fechados em março que concederam incentivos fiscais à empresa e garantiram a continuidade de suas operações deu à crise desfecho positivo – diferentemente do que ocorre com a unidade da Ford em São Bernardo, ainda à espera de um comprador que possa evitar o fechamento da fábrica e a perda de 2,7 mil empregos.

É verdade que, no caso da Ford, a decisão de fechamento da planta era irreversível e a empresa sequer abriu negociações, uma vez que a matriz da montadora nos Estados Unidos desistiu da produção de caminhões, só mantida no Brasil e na Turquia. No caso da GM, especialistas no setor automotivo viram na ameaça uma estratégia para a unidade brasileira implementar um agressivo e bem-sucedido plano de enxugamento de custos que envolveu negociação com governos, sindicatos, fornecedores e concessionários.

O corte nos custos era necessário porque a empresa vive no Brasil aparente paradoxo: apesar de liderar as vendas e de ter o carro mais emplacado há quatro anos, o Onix, a GM enfrenta problema de rentabilidade, uma vez que carros mais baratos – como o hatch e o sedã Prisma, outro campeão de vendas da marca – têm margens de lucro mais apertadas.

Estado e Prefeitura de São Caetano fizeram sua parte. Em março, o governador João Doria (PSDB) lançou o IncentivAuto, programa que concede desconto de até 25% no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) às montadoras que investirem ao menos R$ 1 bilhão e criarem no mínimo 400 empregos no Estado. No mesmo mês, o município também deu sua contribuição, ao aprovar incentivos fiscais de R$ 100 milhões ao longo de oito anos. O plano de corte de custos só não teve a adesão dos funcionários da unidade de São Caetano – que, alegando haver acordo vigente até 2020, recusaram em assembleia a proposta da GM de redução dos direitos trabalhistas.

Como resultado das contrapartidas fiscais oferecidas, a GM anunciou investimento de R$ 10 bilhões nas fábricas paulistas (de São Caetano e São José dos Campos) entre 2020 e 2024 para o desenvolvimento e a produção de novos modelos, o que encerrou a crise iniciada em janeiro. “A decisão da matriz da General Motors de fechar unidades no Brasil, anunciada há 94 dias, teria tudo para ser uma tragédia para a cidade. Com o esforço de todos, conseguimos transformá-la em uma boa notícia, de preservação dos empregos e manutenção da unidade por pelo menos mais um ciclo de desenvolvimento e venda de produtos”, afirmou à época o prefeito José Auricchio.Júnior (PSDB).

EFEITO DESASTROSO

O eventual fechamento da fábrica da GM teria efeito desastroso sobre o mercado de trabalho de São Caetano, que sucumbiu à crise entre 2013 e 2016, mas se recupera lentamente e tem registrado resultados positivos desde 2017, apesar da ainda fraca atividade econômica. Só no primeiro semestre, a cidade criou 1.931 vagas com carteira assinada, aumento de 1,8% ante o total existente em 31 de dezembro do ano passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. Somados os 3.495 postos de trabalho gerados no ano passado e os 508 abertos em 2017, o município contabiliza o acréscimo de quase 6 mil empregos nos últimos 30 meses – ainda insuficientes para restabelecer o patamar de ocupação de 2012, o mais alto de sua história.

Também teria impacto catastrófico sobre a atividade economia da cidade, que tem experimentado queda vertiginosa nos últimos anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, entre 2010 e 2016 (número mais recente disponível), o Produto Interno Bruno (PIB) de São Caetano encolheu 40% em termos reais (quando a inflação é considerada). No mesmo período, o Valor Adicionado Industrial – espécie de PIB fabril – registrou queda de 45,8%.

Os dados do IBGE revelam ainda que a indústria tem perdido relevância na produção de riquezas do município. A “fatia” do setor no PIB são-caetanense caiu de 33,1% em 2002 para 28,2% em 2010 e para 22,2% em 2016. No sentido contrário, a participação dos serviços saltou de 34,8% para 40,3% e 50,9%, respectivamente.

Print Friendly, PDF & Email

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*