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Pelo segundo ano consecutivo, preços de imóveis sobem abaixo da inflação no ABC

Um dos setores mais impactados pe­la crise econômica, o mercado imobiliário amarga forte retração na demanda e, como resultado, queda nos preços. Em 2016, o metro quadrado não acompanhou a inflação e, em termos reais, ficou mais barato nas três principais cidades da região pelo segundo ano consecutivo.

É o que mostra o Índice FipeZap, que monitora o preço de apartamentos novos prontos e usados em 20 cidades. Segundo a pesquisa, os imóveis tiveram aumento nominal de 2,1% em Santo André, 2,3% em São Caetano e de 0,4% em São Bernardo em 2016.

Porém, os dados apontam desvalorização de 4% em Santo André, 3,9% em São Caetano e de 5,6% em São Bernardo quando considerada a proje­ção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 6,4% em 2016 – o anúncio do indicador oficial de inflação ocorre na próxima semana.

É o segundo ano em que os preços dos imóveis no ABC não acompanham a inflação des­de 2012, quando as três cidades foram incluídas no FipeZap, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e pelo Zap Imóveis.

Ainda segundo o levantamento, São Caetano tinha em dezembro o oitavo metro quadrado mais caro entre os 20 municípios pesquisados, com média de R$ 5.978. Santo André era o 14º (R$ 5.243) e São Bernardo, o 16º (R$ 4.899).

“O aumento do desempre­go e a consequente perda do poder aquisitivo das famílias contribuíram para a paralisação do mercado e para o recuo nos preços, assim como os juros altos e as restrições impostas ao crédito pela Caixa Econômica Federal, que é a principal financiadora de imóveis do país, mas perdeu mercado por conta disso”, disse Raone Costa, economista da Fipe.

O especialista lembrou que a Caixa reduziu os juros da casa própria em novembro, acompanhando a retomada da trajetória de queda da Selic pelo Banco Central, mas as taxas ainda estão em patamares mais elevados do que no começo do ano passado.

Sem cravar avaliação, Costa afirmou que a maior retração nos preços dos imóveis em São Bernardo pode estar relacionada ao fato de a cida­de ter sido a mais atingida pe­­la crise econômica no ABC.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que São Bernardo responde por mais da metade dos 25.382 postos de trabalho com carteira assinada extintos na região entre janeiro e novembro – movimento que refletiu a contínua perda de vigor do setor automotivo, principal atividade fabril da cidade, que teve em 2016 o quarto ano seguido de queda nas vendas.

Perspectivas

Sobre as projeções para 2017, Costa avalia que o fim da crise no mercado imobiliário, se ocorrer, será lento e antecedido da recuperação em outros setores, como supermercados. Para o economista, a retomada do crescimento do país, ainda que em um porcentual próximo de zero, já seria bem-vinda. “A estabilização do mercado imobiliário virá com a estabilização do emprego”, previu.

A recuperação dos preços dos imóveis, no entanto, deve demorar e só virá com aumento consistente da demanda.

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