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PCdoB de São Bernardo quer ‘papel mais decisivo nos embates da cidade’

PCdoB de São Bernardo quer ‘papel mais decisivo nos embates da cidade’
Oliveira: “estamos assistindo uma disputa de legado na cidade”. Foto: Divulgação

O presidente do PCdoB de São Bernardo, Jorge Costa Oliveira, em entrevista ao Diário Regional, afirmou que a sigla vem se consolidando como força atuante na cidade e que este ano é uma grande oportunidade para a população julgar nas urnas quem deve governar a cidade nos próximos quatro anos. Falou sobre planos para as eleições e fez análise do cenário político no município. Confira a entrevista.

Fale um pouco sobre a atuação do partido na cidade.

Sou presidente do PCdoB desde 2006 e sob minha liderança o partido elegeu pela primeira vez vereador na Câmara de São Bernardo, um feito inédito, porque antes de nós jamais o PCdoB havia fincado a sua bandeira no parlamento local. Em 2008 tivemos o oitavo vereador mais votado da cidade. Não assumimos a cadeira, mas nos consolidamos como uma força atuante na cidade. Já em 2012 elegemos dois vereadores e em 2016 o terceiro vereador mais votado da cidade. O partido é uma realidade hoje, graças ao esforço do coletivo, dos dirigentes e de nossa militância, além da ótima precisão da direção partidária em fazer uma leitura sempre correta e atualizada do quadro político da nossa cidade.

O sr. fez parte da direção do sindicato do funcionalismo e hoje preside a Cooperativa Habitacional dos Servidores Públicos de São Bernardo.

De 1996 a 1998, fiz parte da direção do Sindicato dos Servidores como secretário-geral. Participei da melhor gestão do Sindserv, a qual comprou a sede própria para a categoria. Fomos protagonistas da melhor e mais importante gestão à frente da categoria por meio do acordo coletivo, maior e mais importante visto desde a fundação do Sindserv em 1988. Lideramos também a criação do regime jurídico único, além da criação do nosso Fundo Previdenciário, entres outras conquistas importantes para os servidores municipais.

Lideramos acordo coletivo que consistia em reajuste de 2% ao mês, além da inflação mensal por dois anos, resultando na recuperação das perdas históricas da categoria, que ao final do período obteve mais de 200% do valor salarial real, mais recuperação de perdas históricas, possibilitando, assim , que os servidores tenham até hoje salário digno, mesmo com o arrocho salarial desde 1998.
Portanto, fiz parte da história dos funcionários municipais com muita competência e luta. Atualmente sou presidente da COOPERHAB, lutando para em breve oferecer a oportunidade de moradias dignas a preços reduzidos para nossa categoria e para a população de nossa cidade.

O sr. passou por diversos governo. Como analisa o cenário político de São Bernardo?

A visão que tenho sobre o quadro político atual de nossa cidade é que estamos assistindo uma disputa de legado, com um projeto iniciado pelo prefeito anterior, Luiz Marinho (PT), que fez ótimas intervenções em diversas áreas durante seus oito anos de mandato, e o prefeito atual, Orlando Morando (PSDB), que tem dado continuidade no projeto anterior, terminando as obras, que já estavam projetadas , orçadas e demandadas pela população de nossa cidade por meio do Orçamento Participativo, algumas já iniciadas e outras concluídas. Portanto, entendo que agora será uma grande oportunidade para a população julgar nas urnas quem deve governar nossa cidade nos próximos quatro anos.

Considero que a sociedade, tendo em vista que os são-bernardenses gostam da cidade e não têm predileção por uma figura, mas sim por quem tem capacidade de gerir a cidade , deva fazer uma escolha que dialogue com o futuro de nossa cidade no pós-pandemia e em plena reconstrução de sua economia que hoje, como em todo o estado e a união, agoniza em uma profunda crise sanitária e econômica. Estaremos atentos e sempre nos colocando a favor do povo, principalmente os mais vulneráveis e humildes de nossas periferias, e sempre firmaremos posição em defesa de uma cidade democrática, altiva e comprometida com os nossos cidadãos e cidadãs.

O PC do B esteve no arco de alianças de Orlando Morando no segundo turno e agora está no de Luiz Marinho. Não é uma situação estranha?

Nunca participamos de nenhuma decisão neste atual governo. Apenas tivemos posição tática no segundo turno e ajudamos eleger este governo porque entendíamos que era melhor para a cidade naquele momento. Tanto estamos certos que o seu oponente na época, o deputado Alex Manente (Cidadania), já foi cooptado e desfila ao lado do governo atual. Portanto, somos um partido que está ao lado do povo e tem autonomia para caminhar aonde nossa população espera que caminhemos. Nossa alma não está vendida e jamais estará. Temos lado e é o do povo mais humilde e vulnerável de nossa cidade.

Já foi candidato vereador alguma vez?

Nunca fui candidato a vereador, esta será a primeira vez. Estou candidato porque a militância do PCdoB me destacou para cumprir essa tarefa. Entendemos que o partido tem de jogar um papel mais decisivo nos embates da cidade, e me consideram um quadro preparado e capaz de representar nossa cidade no parlamento. Teremos chapa completa nas diversas regiões da cidade, apostando na mudança não só de nomes, mas de atitude política.

Como o sr. analisa a situação política do país, com este extremismo exacerbado?

Com muita preocupação. Passamos de 52 mil mortes pelo covid -19 (dados de terça-feira/23) e vemos um governo afundado na corrupção e enfrentando os outros poderes da República, desestabilizando as instituições tanto dos poderes públicos, quanto da sociedade civil. Um caos total, um surto coletivo de valores, exatamente por causa do desastre governamental liderado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Uma ultradireita retoma o discurso de que quem não concorda com eles é comunista.

Todos sabemos de onde vem. É um discurso dos fascistas e de pessoas que não toleram a democracia. Não suportam as minorias – negros, pobres, LGBT; mulheres, índios, nordestinos entre outros – , por isso somos a resistência do nosso povo. Venceremos mais esses dias.

Como vê o governo estadual?

Um governo que atende o mercado e faz política com a vida humana. São Paulo não merece este governo. Nosso povo é infinitamente melhor e maior que este governo. Tenho dito que veremos depois da crise sanitária o que restará deste governo e dos representantes dos carteis imperialistas e da indústria da morte.

O governo federal?

Como já disse, um caos total, que vem ladeira abaixo. Estamos nas mãos do destino. Triste realidade.

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