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Parque fabril muda perfil com perda de 49% das grandes e médias indústrias em 27 anos

Parque fabril muda perfil com perda de 49% das grandes e médias indústrias em 27 anos

Em um período de 27 anos, o ABC experimentou verdadeira transfor­mação em seu parque fa­bril. Em 1989, 85,76% dos estabelecimentos industriais eram de micro ou pequeno porte (com até 99 funcionários) e 14,23% eram médios e grandes (acima de 100 empregados). Em 2016, pequenos e médios eram 95,06% dos estabelecimentos e médios e grandes, apenas 4,93% do total.

Os dados constam na primeira Carta de Conjuntura produzida pelo Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade de São Caetano (USCS).

Em números absolutos, micros e pequenas indústrias passaram de 3.573 para 5.860 no período, acréscimo de 64%, enquanto médias e grandes fábricas recuaram de 593 para 304, queda de 48,73%. Os dados consideram estabelecimento industrial cada planta/prédio, o que significa que empresas com duas ou mais unidades aparecem repetidas vezes no estudo. No geral, o ABC registrou aumento de 47,95% no total de indústrias.

O professor Jefferson Jo­sé da Conceição, um dos coordenadores do Observatório e co-autor do artigo sobre as indústrias (em conjunto com a mestranda Gisele Yamauchi), destaca que os números mostram fragmentação da indústria, que terceirizou diversos processos, além de forte mudança de perfil, com grande número de empresas do setor de serviços se estabelecendo.

O professor José Carlos Garé, outro coordenador do projeto, lembra que, neste período, grandes empresas como General Eletric, Brastemp e TRW saíram da região, num verdadeiro êxodo industrial para cidades como Campinas, Sorocaba e Americana, onde tiveram a oferta de melhores condições fiscais para se estabelecer. “Temos também o incremento de tecnologia, que otimiza o trabalho de forma geral, e o aumento no número total de unidades industriais nos leva a crer em aumento de produtividade”, completou.

“Avaliamos esses dados com bastante otimismo. A indústria da região tem capacidade de inovar e se reinventar. Um dos objetivos do Observatório é conectar a indústria à academia, para que seja possível elaborar políticas industriais olhando para frente”, destacou Conceição.

“Queremos colaborar com a produção de conhecimento, com avaliação comparativa e crítica, para a produção de políticas que venham manter o crescimento”, finalizou.

Carta

O Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS foi lançado na última quarta-feira (14). Sob direção das Pró-Reitorias de Graduação e de Pós-Graduação, o Observatório tem como objetivo contribuir para a leitura objetiva da realidade econômica do ABC, e, com isto, propiciar o aperfeiçoamento das políticas públicas e privadas.

O lançamento faz parte das celebrações de 50 anos da entidade. A próxima Carta de Conjuntura será lançado em maio e a periodicidade das publicações – elaboradas por professores e alunos, incluindo doutorandos e mestrandos – será bimensal.

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