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Para juiz, ‘favela marmitex’ talvez seja melhor lugar do presídio

Castro afirmou que a governadora Suely Campos recebeu “herança maldita” dos governos anteriores. Foto: Re-produção / Governo de Roraima O juiz substituto da vara de execuções penais de Boa Vista, Marcelo Oliveira, afirmou ontem (9) que a “ala da cozinha” do presídio em que ocorreu a chacina de 33 detentos na semana passada “é uma favela de verdade”. A Folha revelou que 282 detentos vivem na ala de barracos de lona, madeira e até tampas de marmitex construídos com material enviado por familiares e autorizado pela direção do presídio.

“De fato é uma situação complicada, você vê que o poder público não consegue sequer construir prédio para colocar os presos lá dentro”, disse o juiz. A responsabilidade pelas obras é do Estado, que afirmou estar tomando providências para construir um novo presídio até o final do ano, com capacidade para 390 detentos.
Tendo feito visitas ao presídio ao longo do ano passado, o magistrado apontou que a situação “é desumana”. Inúmeros setores do presídio que foram quebrados em diversas rebeliões ainda não foram recuperados. “Parece que houve um bombardeio.”.

A comida entregue aos detentos muitas vezes aparece estragada e com mau cheiro. O esgoto corre a céu aberto, pois as fossas vazam, formando “piscinas de dejetos”. Nesse contexto, segundo o juiz, a “favela” ainda “talvez seja o melhor lugar” do presídio, pois os barracos são mais arejados do que as alas de alvenaria e os presos têm fogões rústicos nos quais podem esquentar e refazer a comida das marmitas.

O secretário de Justiça, Uziel Castro, concordou que os presos vivem “em condição subumana”, mas alegou que a governadora Suely Campos (PP) recebeu “herança maldita” dos governos anteriores e desde 2016 tem feito diversas melhorias nos presídios.
Em carta enviada ao presidente Michel Temer (PMDB), a governadora pediu a transferência de oito detentos de Roraima para presídios federais em outras regiões do país. Conforme o ofício, esses oito “foram identificados como líderes de facções criminosas criminosas” e a transferência seria necessária para “mitigar os conflitos internos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo”.

Amazonas

Secretaria de Segurança Pública do Amazonas transferiu ontem (9) 20 presos da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, em Manaus, para a Unidade Prisional de Itacoatiara (UPI), na capital do Estado. O grupo tinha sido remanejado para a cadeia pública ao longo da última semana, com cerca de 260 detentos remanejados dos dois estabelecimentos prisionais onde pelos menos 60 presos foram mortos nos dois primeiros dias do ano.

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