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Para a Fiesp, saída da Ford é alerta para o Brasil

Para a Fiesp, saída da Ford é alerta para o Brasil
Ford encerrou história de 101 anos de produção no Brasil. Foto: Divulgação

A decisão da Ford de encerrar a produção de veículos no Brasil repercutiu no meio po­lítico e empresarial. Para a Fe­deração das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), trata-se de “uma triste notí­cia para o país” e que precisa ser “olha­da com atenção”.

“A Fiesp tem alertado sobre a necessidade de se implementar uma agenda que reduza o custo Brasil, me­lhore o ambiente de negócios e aumente a competitividade dos produtos brasileiros. Isso não é apenas discurso. É a realidade enfrentada pelas empresas”, diz a entidade, em nota à imprensa.

“A alta carga tributária bra­sileira faz diferença na hora da tomada de decisões. O custo de cada automóvel produzido aqui, por exemplo, dobra apenas por conta dos impostos – e ainda há governantes que pensam no absurdo de aumentar tributos, como no caso da inacreditável alta do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) em São Paulo. Precisamos urgentemente fazer as reformas estruturais, baixar impostos e melhorar a competitividade da nossa economia para atrair investimentos e ge­rar os empregos de que o Brasil tanto precisa”, conclui a Fiesp.

O governador João Doria (PSDB) também lamentou pu­blicamente o encerramento da produção de veículos da Ford no Brasil. Sem citar demissões na fábrica de Taubaté (SP), onde a montadora emprega cerca de 830 funcionários, o tucano afirmou que a empresa manterá 700 trabalhadores em atividades no município de Tatuí (SP) e na capital do Estado.

“A medida afeta o fechamento de fábricas no Ceará, na Bahia e em São Paulo. Foi decisão global da Ford Motor”, escreveu Doria, em sua conta no Twitter.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o fechamento das fábricas da Ford no Brasil seria, na sua visão, uma demonstração da “falta de credibilidade” do governo. O de­mocrata também considera que o anúncio evidencia a au­sência de regras claras, de segurança jurídica e de um sistema tributário racional.

Defensor da proposta de reforma tributária de autoria do candidato apoiado por ele para a sucessão no comando da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP), o atual presidente da Casa apontou que o sistema tributário teria se tornado um “manicômio” nos últimos anos, com impacto direto sobre a produtividade das empresas brasileiras.

“Espero que essa decisão da Ford alerte o governo e o Parlamento para que possamos avançar na modernização do Estado e na garantia da segurança jurídica para o capital privado no Brasil”, escreveu Maia, em sua conta no Twitter.

O vice-presidente da Repú­blica, Hamilton Mourão, se disse surpreso com o anúncio. Em conversa com jornalistas, Mourão avaliou que o comunicado da empresa, que está no Brasil há 100 anos, não foi uma “boa notícia”. “Eu acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil. Surpreende essa decisão que foi tomada aí pe­la empresa”, comentou.

Mourão opinou que a mon­tadora poderia ter esperado mais e destacou o tamanho do mercado consumidor bra­sileiro. “Eu acho que ela poderia ter retardado isso mais e aguardado. Até porque nosso mercado consumidor é muito maior do que outros (países)”, afirmou.

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