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Pandemia já fechou 31,4 mil vagas no ABC

Pandemia já fechou 31,4 mil vagas no ABC
Somente em maio, mercado de trabalho dos sete municípios perdeu 8.021 empregos, pior resultado para o mês da série histórica do Caged

O impacto da pandemia do novo coronavírus sobre a ativida­de econômica já provocou o fechamento de 31,4 mil vagas com carteira assinada no ABC entre março, quando te­ve início a quarentena, e maio.

Somente no mês passado, o saldo líquido entre admissões e desligamentos na região foi ne­gativo em 8.021 empregos ex­­tintos, pior resultado para maio da série história do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O saldo, porém, sinaliza de­saceleração no ritmo de demis­sões, já que, em abril, foram fe­chados 17.295 pos­tos de trabalho.

O impacto da pandemia so­bre o mercado de trabalho dos sete municípios co­meçou a ser sentido em março, quando fo­­ram extintas 6.117 ocupações celetistas. Foi na segunda quinzena da­quele mês que as medidas de isolamento social e restrição às atividades não essenciais foram adotadas.

No acumulado do ano até maio, o saldo é ne­gativo em 28,4 mil vagas extintas. Com isso, segundo o Caged, o ABC tem atualmente 681,2 mil tra­balhadores com carteira assinada, queda de 4% ante o estoque de 1º de janeiro (709,6 mil).

O economista Ricardo Ba­lis­­tiero, coordenador do curso de Administração do Insti­tuto Mauá de Tecnologia, avaliou que o resultado de maio foi menos dramático que o de abril, mas não há nada o que co­me­morar. “O cenário continua mui­to ruim. A diferença é que, em abril, caímos do décimo andar e, em maio, do oitavo, mas o resultado é o mesmo”, disse.

Ba­lis­­tiero projeta a conti­nuidade da perda de vagas em ju­nho, mas o rombo será ate­nuado pela flexibilização da quarentena autorizada pelo governo do Estado, que permitiu a reabertura de shoppings, con­cessionárias e do comércio de rua nos sete municípios no último dia 15.

Também deve ajudar a desacelerar as demissões a ade­são, pelas empresas do ABC, à Medida Provisória (MP) 936, que autorizou a suspensão dos contratos de trabalho e a redução de jornada com corte correspondente nos salários.

Balistiero destacou, no entanto, que o cenário ainda é de bastante incerteza em relação à crise sanitária. “Estamos em um processo de reabertura eco­nômica, mas outros locais que experimentaram esse mesmo estágio tiveram recrudescimento no número de casos e mortes, e precisaram fechar o comércio em seguida, porque há risco subjacente (de segunda onda da pandemia)”, afirmou.

O economista prevê que o ABC encerrará este ano com queda de 5% a 10% no estoque de trabalhadores com carteira assinada – projeção que, se con­firmada, representará perdas de 35,5 mil a 71 mil empregos.

SETORES

No corte por setores, o fechamento de 8.021 vagas formais em maio foi puxado pelos serviços, que eliminaram 3.117 postos de trabalho.
Ainda segundo o Caged, o ramo dos serviços mais afetado em maio foi o agre­ga­do Atividades Administrativas e Servi­ços Complementares – que in­clui, por exemplo, as áreas de telemarketing, segurança, portaria e limpeza, que têm em comum serem prestados às empresas. A rubrica foi responsável pela extinção de 1,8 mil vagas.

Também nos serviços, ou­tro setor fortemente atingido foi o de transporte, armazenagem e correio, com 852 postos de trabalho fechados.

A in­dústria cortou 2,1 mil vagas e foi seguida pelo comércio, com 1,7 mil, e pela cons­trução civil, com 1,1 mil.

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