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Pandemia e digitalização levam bancos a fechar mil agências este ano

Pandemia e digitalização levam bancos a fechar mil agências este ano
Santander tem sete agências no país com cafeteria e coworking. Foto: Divulgação/Santander

Com a pandemia da covid-19 e o avanço da digitalização da economia no Brasil, um processo que estava em andamento nos bancos nos últimos anos ga­nhou impulso: o de mudança no formato das tradicionais agências. Somente em 2020, cerca de mil agências dos três grandes bancos privados (Bradesco, Itaú e Santander) fecharam as portas, e centenas de postos de atendimento deixaram de funcionar. Outras dezenas de unidades ga­nharam novas funcionalida­des: o Bradesco, por exemplo, acele­rou a transformação de agências em unidades de negócio.

No final de setembro, os três maiores bancos privados somavam 11.129 agências no país, sem contar os postos de atendimento. Há quatro anos, eram 12.671. Considerando apenas Bradesco e Itaú, as 10.417 agências que funcionavam em 2016 foram reduzidas para 7.876 em setembro passado. O Santander cresceu muito nos últimos anos e, só recentemente, começou a diminuir o número de agências. Em 12 meses, o número de funcionários dos três bancos foi reduzido em 11.173 postos.

No Bradesco, o ritmo das mudanças foi acelerado na pandemia e a indicação do banco é de que seguirá assim em 2021. Nesta semana o diretor-executivo e de Relações com Investidores do banco, Leandro Miranda, disse que já foram convertidas em unidades de negócios, apenas neste ano, 500 das 700 agências que estão no planejamento. A grande diferença desse modelo é a ine­xistência de caixas – o que reduz, segundo o executivo, os custos entre 30% a 40% em relação a uma agência convencional, especialmente porque os gastos com segurança são menores.

CONVIVÊNCIA

A reinvenção tem acontecido em todo o setor. O Santander, por exemplo, anunciou recentemente que vai criar um ambiente de convivência nos esta­cionamentos de suas agências, em parceria com seu portal automotivo Webmotors. Além de pontos de encontro para venda de carros e showroom de concessionárias, poderão receber outras soluções automotivas e opções de lazer e alimentação, como food trucks e academias.

O banco já tinha transformado algumas agências em “ca­feterias” e espaços para reuniões, no modelo coworking. Hoje, são sete agências do Santander com o conceito de agência-café, e o plano é aumentar o número.

“É evidente a transformação tecnológica recente e a pro­cura cada vez maior pelos canais digitais, mas nossa rede física segue cumprindo papel muito relevante no modelo de atendimento do Itaú, como um espaço mais humanizado de relacionamento e consultoria. Os diferentes canais se complementam”, disse o Itaú, em nota.

O coordenador do curso de Economia da Fundação Getulio Vargas, Joelson Sampaio, lembrou que as agências ainda são necessárias para vários públicos, citando que nesses espaços se observa relevante movimentação de pessoas, em razão de contas salários, e daquelas menos familiarizadas com os meios di­gitais, que ainda respondem por boa parte do movimento.

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