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Pandemia de covid-19 derrubou PIB do ABC em R$ 5,2 bilhões no ano passado

Pandemia de covid-19 derrubou PIB do ABC em R$ 5,2 bilhões no ano passado
Projeção considera que economia regional caiu na mesma magnitude do PIB nacional, que encolheu 4,1%

Em 2020, a pandemia de co­vid-19 provocou forte impacto na economia global, e o ABC não fugiu à regra. A crise sanitária teria causado perdas de R$ 5,2 bilhões na produção de riquezas dos sete municípios.

A estimativa consta de nota técnica publicada na 16ª Carta de Conjuntura da Universida­de de São Caetano (USCS) e consi­dera que a economia dos sete municípios evoluiu na mesma magnitude do Produto Interno Bruto (PIB) do país – ou seja, cresceu 1,4% em 2019, mas recuou 4,1% no ano passado.

Assim, o PIB regional teria saltado de R$ 126,6 bilhões em 2018 (último dado publicado pelo Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística, o IBGE) para R$ 128,3 bilhões em 2019, mas recuado para R$ 123,1 bi­lhões no ano passado.

Porém, para os autores do estudo, a retração regional po­de ter sido até maior do que a média nacional, em função do forte impacto da pandemia sobre a atividade industrial e o comércio exterior, ambos com peso expre­s­sivo na economia da região.

“Considerar que o ABC te­ve o mesmo tombo do país é uma projeção bastante conservadora, ten­do em vista o peso do se­tor industrial e, especialmente, do setor automotivo em nos­sa eco­nomia. Quando os nú­meros ofi­ciais saírem (o que só vai ocorrer em dezembro de 2022), certamente a redução será muito maior”, afirmou o economista Jefferson José da Conceição, que coordena o Observatório de Políticas Pú­blicas, Empreen­de­dorismo e Conjuntura da USCS (Conjuscs) e assina a nota jun­tamente com a também eco­nomista Gisele Ya­mauchi.

O estudo destaca que o tom­bo da economia em 2020 deu-se no formato de “W”, ou seja, com pequena recuperação no primeiro bimestre após 2019 difícil, queda entre março e maio, re­tomada a partir de junho acom­panhando a liberação das atividades econômicas e o aumento do consumo, e nova oscilação e preocupação no fi­nal do ano com o encerramento do auxílio emergencial e com o recrudescimento do nú­mero de contagiados e de mortos.

“Nós já havíamos alertado para a possibilidade de a recuperação em ‘W’ ocorrer, por­que a economia depende com­­­pletamente da solução da Saú­de para conseguir retomada sustentável. Esse mo­vimento fica patente no comportamento do emprego no ABC”, afirmou o economista.

Conceição refere-se ao fato de o mercado de trabalho com carteira assinada da região ter encerrado o ano passado com o fechamento líquido de 11,7 mil vagas, segundo o Cadastro Ge­ral de Empregados e Desempre­gados (Caged), do Ministério da Economia. O resultado re­fle­tiu a geração de vagas em ja­neiro e feverei­ro, demissões entre mar­ço e julho (período mais agudo da pandemia em 2020), retomada das contratações de agosto a novembro e cortes em dezembro.

O economista entende que o cenário para 2021 é de incertezas. “Todas as âncoras que determinam o comportamento do PIB – consumo interno, investimento, exportações e gastos do governo – têm sinal negativo. O gasto público vai se voltar para o auxílio emergencial, o que é importante, mas não haverá impulso de obras públicas”, disse o economista, para quem o país precisa de um “plano na­cional de enfren­ta­mento à pan­de­mia que articule ações inte­gra­­das nas áreas de econo­mia, Saú­de e meio ambiente”.

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