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Palocci era interlocutor de Lula para tratar de doações, diz Emílio Odebrecht

Odebrechet: “existia uma relação cerimoniosa. Ele indicava a pessoa dele, eu indicava a minha”. Foto: ArquivoEm novo depoimento à Justiça nesta segunda-feira (5), o empresário Emílio Odebrecht, presidente do conselho de administração do grupo Odebrecht, afirmou que o ex-ministro Antonio Palocci era o interlocutor preferencial do ex-presidente Lula para tratar de doações ao PT. Segundo o empresário, não se falava em valores ou procedimentos nas conversas com o petista – acusado de se beneficiar de pagamentos ilegais feitos pela empresa.

“Existia uma relação cerimoniosa. Ele indicava a pessoa dele, eu indicava a minha”, declarou Emílio, em depoimento numa das ações contra Lula na Justiça Federal do Paraná. Lula, porém, solicitava contribuições para o PT, segundo o empresário, e sempre indicava um interlocutor para tratar do tema. Na maioria das vezes, era Palocci, outras, segundo Odebrechet, o ex-ministro Guido Mantega.

O ex-ministro é apontado pelo Ministério Público Federal como dono de uma “conta-corrente” de propinas junto à Odebrecht, representada em uma planilha de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da companhia, intitulada “Posição Programa Especial Italiano”. Segundo a Procuradoria, o dinheiro vinha de obras da Petrobras, e era pago em doações oficiais, caixa dois ou em vantagens específicas – nesse caso, terreno para o Instituto Lula.

Emílio Odebrecht disse que não entrava nos detalhes dos pagamentos e contrapartidas com Lula. Afirmou, porém, que fazia três orientações a seus executivos: 1) parcelar as propinas no maior prazo possível; 2) negociar desconto nos valores; e 3) dar isonomia de tratamento a outros partidos e políticos, para “evitar ciúmes”. A ideia de estender os pagamentos ao longo de meses, segundo o empresário, era uma forma de “hedge” – ou seja, de reduzir os riscos da empreiteira em levar calote do governo, já que ainda teria parcelas de doações a pagar ao PT.

Além de Emílio, outros dois executivos da Odebrecht depuseram nesta segunda (5): Alexandrino Alencar, responsável pelo relacionamento com políticos, e João Alberto Lovera, que atuou na compra de área.

Outro lado

A defesa do ex-ministro Palocci informou que ele tratava de doações de campanha com a Odebrecht, dentro do prazo estipulado pela lei eleitoral – e sem vinculá-las a obras específicas, o que não caracterizaria propina.
Em nota, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, afirmou que os depoimentos demonstram “o caráter irreal da acusação”, já que o imóvel jamais foi solicitado ou recebido pelo ex-presidente. Guido Mantega nega ter solicitado ou negociado vantagens indevidas em nome do PT.

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