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Palocci é ‘Italiano’ citado em lista de propina, diz executivo

A defesa do Palocci nega que ex-ministro seja o Italiano. Foto: ArquivoEm audiência ontem (6), o executivo Fernando Sampaio Barbosa, do grupo Odebrecht, afirmou que o apelido “Italiano”, mencionado em e-mails e planilhas da empreiteira, é uma referência ao ex-ministro Antonio Palocci, preso pela Lava Jato. “A gente sabia que o Italiano era o Palocci. Tinha sido informado pelo Márcio Faria (outro executivo do grupo)”, declarou ao juiz Sergio Moro.

É a primeira vez que um diretor da Odebrecht confirma em juízo a ligação entre o ex-ministro e o apelido, citado em planilhas que relatam o pagamento de R$ 128 milhões em vantagens indevidas, segundo o Ministério Público. As planilhas, apreendidas pela PF, têm o título “Posição Programa Especial Italiano” – e serviram como base para a denúncia contra Palocci, acusado de agir como um intermediário da Odebrecht e defender os interesses da empresa nos governos dos petistas Lula e Dilma Rousseff.

A defesa do ex-ministro nega que ele seja o Italiano e diz que o depoimento de Barbosa, que só “ouviu dizer”, não vale como prova. Barbosa, que depôs como testemunha, preside o estaleiro Enseada Indústria Naval, integrante do grupo Odebrecht. Está entre os destinatários dos e-mails de Marcelo Odebrecht que mencionam as tratativas com “Italiano”, em 2011.

O executivo, porém, disse que jamais tratou de assuntos escusos com diretores e que só conhece Palocci “da imprensa”. “Não tinha contato (com Palocci), não fazia parte do meu escopo. Provavelmente era uma relação que o Marcelo (Odebrecht) tinha com ele”, afirmou.

Na época, a Odebrecht negociava um contrato de sondas com a Petrobras, para a exploração do pré-sal. O grupo perdeu a primeira etapa da licitação, que disputou em consórcio com as empreiteiras OAS e UTC. Começou, então, o processo para influenciar o novo modelo de exploração, segundo acusa o Ministério Público. Foi nesse período que foram trocados os e-mails com menção ao Italiano – citado por Marcelo Odebrecht e Rogério Araújo.

O herdeiro do grupo relatou que esteve numa reunião com o Italiano e Dilma Rousseff para tratar do tema, e que o então ministro da Casa Civil se comprometeu a falar com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, sobre o novo modelo licitatório. Ao final, a Petrobras fechou contrato de R$ 28 bilhões com o consórcio liderado pela Odebrecht, que viria a se tornar a empresa Enseada Indústria Naval. Fernando Barbosa, à época, era diretor-superintendente do consórcio e estava entre os destinatários dos e-mails.

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