Editorias, Notícias, Política

Palocci começa a negociar delação com a Lava Jato

Palocci é o segundo petista graduado a decidir fazer delação, após o acordo do ex-senador Delcídio do Amaral. Foto: ArquivoO ex-ministro Antonio Palocci decidiu negociar um acordo de delação premiada com os procuradores da Lava Jato. Na tarde desta sexta (12), ele avisou seu advogado de defesa, José Roberto Batochio, que ele teria de se afastar do caso. A informação foi antecipada pela Folha de S.Paulo.

Palocci é o segundo petista graduado a decidir fazer delação, após o acordo do ex-senador Delcídio do Amaral.

A negociação será feita por dois advogados de Curitiba, Adriano Bretas e Tracy Reinaldet. Os dois já haviam sido contratados por Palocci, mas, sem explicações, o ex-ministro rompeu o acerto inicial.

Nesta semana Palocci retomou as conversas com os advogados e decidiu que partiria para a delação, como revelou a Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (12).

Réu em dois processos em Curitiba, Palocci teme que suas condenações ultrapassarão os 30 anos de prisão.
A reportagem apurou que o afastamento de Batochio foi uma exigência da força-tarefa. O próximo passo para Palocci será desistir do pedido de habeas corpus que está para ser julgado pelo Supremo.

O ministro Edson Fachin decidiu que o pedido não será julgado pela segunda turma do Supremo, que soltou quatro investigados da Lava Jato em menos de uma semana: o ex-ministro José Dirceu, os empresários Eike Batista e José Carlos Bumlai e o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu. A decisão de Fachin foi vista pela defesa de Palocci como uma manobra.

O QUE PESOU

Pesou na decisão a operação que a Polícia Federal deflagrou nesta sexta (12), em torno de repasses do BNDES para o grupo JBS, num total de R$ 8,1 bilhões. Palocci é apontado nas investigações como um dos intermediários dos financiamentos que geraram supostas propinas.

Outra influência na decisão de Palocci foi a delação da Odebrecht. Documentos apreendidos pela Polícia Federal apontam que o ex-ministro teria sido responsável por administrar repasses no valor de R$ 128 milhões entre 2008 e 2013.

Palocci era chamado de “Italiano” nos comunicados internos da Obebrecht sobre repasses para o PT. O ex-ministro ficou negando por meses que era o “Italiano”, mas o codinome foi confirmado por Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo.

O marqueteiro João Santana disse em sua delação que Palocci combinou com ele que parte dos pagamentos da campanha de Lula em 2006 seriam feitos no exterior.

Ex-ministro da Fazenda de Lula e Casa Civil de Dilma, Palocci foi preso em setembro do ano passado numa fase da Lava Jato chamada Omertà, que quer dizer “lei do silêncio” no linguajar dos mafiosos.

A delação de Palocci é vista com potencial explosivo para atingir o sistema financeiro porque ele era o principal interlocutor do PT junto aos bancos. Ele deve citar alguns dos maiores empresários do país, como Joesley Batista, da JBS, e Abílio Diniz.

Uma auditoria interna do Pão de Açúcar apontou que uma empresa de Palocci recebeu R$ 5,5 milhões do grupo entre 2009 e 2010 sem comprovação de que os serviços fossem prestados. Procuradores suspeitam que o pagamento possa ter relação com a campanha de Dilma Rousseff, de 2010.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*