Economia, Notícias

País cresce 0,2% no 2º trimestre e sinaliza recuperação

A economia brasileira cresceu no segundo trimestre deste ano, e a composição do resultado, segundo analistas, indica que a atividade começa a se recuperar. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem (1º) que o Produto Interno Bruto (PIB) teve alta de 0,2% de abril a junho frente aos três meses anteriores. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a economia avançou 0,3%.

O resultado ocorre após o PIB ter crescido 1% no primeiro trimestre, puxado pelo setor agropecuário, o que foi comemorado pelo governo do presidente Michel Temer como o fim da recessão. Porém, no acumulado em quatro trimestres, o país registra queda de 1,4%.

No segundo trimestre, o setor agropecuário ficou estável, como era previsto, passado o efeito benéfico da colheita da safra recorde de grãos.

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, afirmou que a economia está no início de um processo de retomada, o que é esperado após três anos de recessão.

A inflação mais baixa e os juros decrescentes são o principal fator de estímulo, avaliou a analista. “Como o efeito da política monetária é crescente, o que começamos a ver agora é apenas o início da recuperação que teremos até o fim do ano”, afirmou.

Como resultado desse contexto, a renda das famílias está em recuperação, o que impulsionou o consumo após mais de dois anos de contração.

Segundo o IBGE, o consumo das famílias cresceu 1,4% no segundo trimestre ante os primeiros três meses do ano, primeiro resultado positivo desde o fim de 2014. Contra o mesmo período do ano passado, o resultado também ficou positivo, em 0,7%.

Esse número é relevante porque o consumo responde por 65% do PIB. É o dado mais importante de demanda.

O IBGE diz que o consumo das famílias foi influenciado no segundo trimestre pelo enfraquecimento da in­flação – que chegou a ser negativa em junho – e pela queda da Selic, além do crescimento dos salários no período.

Zeina, da XP Investimentos, disse que os indicadores de endividamento das famílias melhoraram, o que abriu caminho para a retomada do crédito, leitura semelhante ao do presidente do BC, Ilan Goldfajn. Os saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o encerramento do ciclo de demissões, antes do que previam economistas, contribuem para o cenário.

Os serviços ficaram positivos no segundo trimestre, com alta de 0,6% ante os primeiros três meses do ano.
O bom resultado das vendas de automóveis em julho e agosto indica que o dinamismo do consumo continua.
Porém, Marcelo Caparoz, analista da RC Consultores, credita esse efeito ainda aos saques do FGTS e aponta riscos como a precariedade dos empregos criados nos últimos meses. Assim, as compras que dependem de crédito poderão arrefecer, disse.

No longo prazo, um fator de preocupação são os investimentos, em contração desde 2013. A taxa de investimento da economia está em 15,5%, a mais baixa desde 1996, início da atual série do IBGE.
Há muita ociosidade nas fábricas e os investimentos em obras seguem deprimidos, por causa dos efeitos da Operação Lava Jato e da redução nas receitas públicas.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*