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Pagamento do 13º salário vai injetar R$ 3,2 bilhões no ABC

Pagamento do 13º salário vai injetar R$ 3,2 bilhões no ABC
Desse montante, base do Sindicato dos Metalúrgicos vai receber R$ 404 milhões, ou 13% do total

O pagamento do 13º sa­lário aos trabalhadores com carteira assinada e aos bene­ficiários da Previdência Social deve injetar R$ 3,2 bilhões na economia do ABC até o final deste ano. O abono nata­lino será concedido a 1,23 mi­­­lhão de pessoas, que vão re­ceber montante médio adicional de R$ 2.600, segundo estima­­­ti­­va feita pela subseção do De­partamento Intersindical de Es­­tatística e Estudos Socioeco­nô­­­­micos (Dieese) do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O montante total é 5,9% inferior, em termos nominais, ao injetado no ABC no ano passado (R$ 3,4 bilhões).

Desse total, a base do sindicato – composta de 68,5 mil metalúrgicos em quatro dos se­te municípios (São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pi­res e Rio Grande da Serra) – vai receber R$ 404,4 milhões, o que re­pre­­­senta 13% do montante inje­tado na economia da região.

Para se ter uma ideia da influência da base do sindicato na economia do ABC, os me­talúrgicos detêm 9,4% dos empregos, mas responderão por 17,7% do montante pago.

Para o diretor-executivo do sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva, os dados mostram a relevância da categoria. “São nú­meros expre­s­sivos, ainda que a base sindical tenha sido du­ra­mente afetada pelo fechamen­to da Ford em São Bernardo”, comentou o dirigente, lem­bran­do que a saída da montadora foi formaliza­da em 2019, mas continuou provocando registros de desli­gamen­to nas estatísticas do mer­ca­do de trabalho neste ano.

Aos aposentados e pensio­nistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o pa­gamento do abono natalino foi feito entre abril e junho e, de acordo com o Dieese, injetou R$ 932 milhões na economia.

Para os trabalhadores formais, o prazo para o pagamento da primeira parcela do 13º é o últi­mo dia útil de novembro (30). A segunda – sobre a qual incide o Imposto de Renda – deve ser credi­tada até 20 de dezembro. Segundo o Dieese, esse contingente vai receber R$ 2,3 bilhões.

ENTENDA

Para chegar à estimativa, o Dieese usou números da Re­lação Anual de Informações So­ciais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – que, juntos, revelam a exis­tência de 729,7 mil traba­lhadores com carteira assinada no ABC. Con­sidera ainda as 498,5 mil pessoas que, segundo o INSS, rece­bem aposentadorias e pen­sões.

A estimativa não mensura o contingente de traba­lhadores que, tendo vínculo inferior a 12 meses, receberá 13º propor­cio­nal, nem assa­lariados sem car­te­i­ra ou com ou­tras formas de in­ser­ção. Não considera ainda o des­conto do Imposto de Renda.

Procurado pela reportagem, o sindicato não soube informar se o Dieese considerou no estudo o impacto do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, ado­tado pelo governo federal para o enfrentamento da pandemia de covid-19.

Em nota técnica publicada na última quarta-feira, o Ministério da Economia esclareceu que os trabalhadores submetidos à redução de jornada e salário no âmbito do programa têm direito ao 13º salário integral. Porém, os empregados que tiveram o contrato suspenso terão cálculo proporcional, confor­me o número de meses em que tra­balharam 15 dias ou mais.

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