Saúde e Beleza

Outubro Rosa: ‘não posso fazer planos, mas já deu tudo certo’

‘Não posso fazer planos, mas já deu tudo certo’
Especialista diz que a estimativa é de que 1% a 3% dos casos de câncer de mama ocorrem na gravidez. Foto: br.freepik.com

Desde janeiro, a nutricionista Patricia Maria Marinho Bergara, de 32 anos, tem alternado momentos de medo e alegria. Tudo começou com um líquido que saía da mama direita e o aparecimento de um nódulo. Enquanto aguardava o resultado da biópsia, descobriu a gravidez. Recebeu o diagnóstico de câncer de mama e intercalou as compras do enxoval com a quimioterapia. Uma síndrome rara antecipou o nascimento de Atreio – do grego “aquele que nada teme”. Após 45 dias na UTI, o bebê recebeu alta.

Hoje, a criança está com 3 meses e a mãe aguarda uma cirurgia para retirada de parte da mama e o início da radioterapia, mas está confiante: “Sempre fui uma pessoa que gosta muito de planejar o futuro. Depois de todos esses acontecimentos, estou pensando em um dia após o outro. Não posso fazer muitos planos, mas já deu tudo certo”.

Ter filho era um sonho. Apesar da pressão de pessoas ao seu redor, ela e o marido estavam na fase de conter a ansiedade e deixar a gravidez acontecer. Em dezembro do ano passado, ela começou a fazer um check-up.

“Pedi um ultrassom de mamas, porque já sentia uma bolinha embaixo do meu seio direito. Em janeiro, saiu o resultado que eu estava com um nódulo irregular, pediram uma biópsia e fiquei esperando o resultado. Nesse meio tempo, descobri a gravidez. Fiz um teste de sangue e estava muito grávida.”

A nutricionista não esperava receber um diagnóstico de câncer. “Não tem casos na minha família. Pensei que era uma inflamação ou (algum efeito) por ter parado o anticoncepcional.” No final daquele mês, a doença foi confirmada. “A primeira coisa que eu pensei é que iria morrer. A gente começou a procurar vários médicos para saber como fazer isso, porque nunca tinha ouvido falar de mulheres grávidas com câncer. Para mim, isso não existia.”

Mastologista da Cia da Consulta e do Hospital Pérola Byington, Felipe Cavagna diz que a estimativa é de que 1 a 3% dos casos de câncer de mama ocorrem na gravidez. “Está ficando cada vez mais comum porque as mulheres estão engravidando em idade mais tardia e há mais casos da doença por causa de hábitos, de origem comportamental. Esse número não é desprezível, levando em consideração que são quase 60 mil casos de câncer de mama no Brasil.”

Cavagna explica que alterações na mama que costumam ocorrer no período dificultam o diagnóstico. “Não é todo ginecologista ou obstetra que vai examinar as mamas no pré-natal. Na gravidez, a mama dói, fica inchada e, em mulheres em idade reprodutiva, o câncer de mama acaba não sendo pensado”, diz.

Patricia iniciou o acompanhamento psicológico e, durante o primeiro trimestre da gestação, foi realizado o planejamento do tratamento. A gravidez corria bem. “Não tive enjoo, tontura nem desejo. Só sabia que estava grávida porque fiz o ultrassom.” Depois da 14.ª semana, começou a fazer quimioterapia e, para sua surpresa, não teve efeitos colaterais.

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