Política-ABC, São Bernardo do Campo, Sua região

Orlando Morando encontra prefeitura com ‘cofres vazios’

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), encontrou as finanças do município em situação muito mais delicada do que a projeção feita durante o processo de transição de governos. Segundo o tucano, seu antecessor Luiz Marinho (PT) deixou restos a pagar de R$ 143 milhões (montante que considera apenas as dívidas de 2016), mas só havia R$ 2,9 milhões em caixa ontem (2) para honrar es­ses compromissos.

“Encontramos a prefeitura com os cofres praticamente vazios”, resumiu Morando, durante entrevista co­letiva concedida ontem, primeiro dia útil de sua gestão. O montante, revelou o prefeito, é inferior a um dia de arrecadação de impostos.

Segundo o secretário de Finanças, José Luiz Gavinelli, os cofres da prefeitura tinham ontem cerca de R$ 300 milhões, mas pouco mais de R$ 297 milhões referem-se a receitas vinculadas, ou seja, verba “carimbada” que já tem destino previamente definido e não pode ser usada livremente pela administração.

“Segundo a legislação, o dinheiro para o pagamento dos restos a pagar deveria estar no caixa, mas não foi o que encontramos”, disse Gavinelli.

A secretaria ainda está con­tabilizando as dívidas, mas já se sabe, por exemplo, que a gestão anterior não pagou as parcelas de outubro, novembro e dezembro referentes ao serviço de coleta e tratamento do lixo da cidade.

No começo da transição de governos, em novembro, Marinho chegou a afirmar que seu sucessor herdaria as finanças municipais em situação “invejável” na comparação com outras prefeituras. Morando, porém, entende que hou­ve “irresponsabilidade fiscal” por parte do antecessor.

O prefeito afirmou que não há revanchismo ou interesse de judicialização do caso, mas vai encaminhar à Justiça as informações que julgar necessárias. “Não acho correto quem chega à prefeitura pegar uma dívida como essa.”

 

Morando queixou-se tam­bém da peça orçamentária deixado pelo petista, que prevê receitas totais para o atual exercício de R$ 4,8 bilhões, montante que o tucano considera irrealizável.

Segundo Gavinelli, a projeção de receitas obtidas no ano passado é de R$ 3,3 bilhões e, para 2017, a previsão mais otimista é repetir esse valor, uma vez que a economia brasileira deve crescer pouco ou se manter estagnada este ano. Assim, segundo o secretário, o orçamento está superestimado em cerca de 45%.

“A preocupação reside nessa realidade: não há perspectiva de crescimento da arrecadação, estamos provando que o orçamento não é verdadeiro e encontramos uma dívida real de R$ 143 milhões. É gente que prestou serviços ou vendeu insumos à prefeitura que não recebeu”, disse Morando.

O tucano pretendia anunciar ontem um pacote de medidas de corte de despesas e saneamento das contas, mas decidiu adiar a divulgação, já que o plano terá de ser aprofundado. “Serão medidas mais duras do que imaginávamos”, argumentou o prefeito, garantindo que não haverá atraso no pagamento de salários dos servidores municipais.

Ainda segundo Gavinelli, a dívida total da prefeitura é de R$ 2 bilhões, montante que corresponde a dois anos de arrecadação de tributos municipais, ou a uma dívida per capita (por habitante) de R$ 2.500.

O montante inclui a dívida fundada (operações de crédito, R$ 1,3 bilhão), precatórios (R$ 143 milhões), débito com a Sabesp (R$ 118 milhões), reajustes não concedidos para contratos de serviços (R$ 300 milhões) e outros débitos (R$ 50 milhões).

A dívida ativa (créditos a receber), por sua vez, supera a casa de R$ 3 bilhões. Morando afirmou que não pretende abrir programa de parcelamento de débitos, popularmente conhecido co­mo Refis. “É um estímulo ao mau pagador”, afirmou.

Morando plantou uma árvore para marcar o início da gestão: “Simboliza a esperança”. Foto: Divulgação

Com plantio de uma árvore, tucano lança programa de zeladoria urbana

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), iniciou os trabalhos de sua gestão na manhã de ontem (2), com o lançamento do programa Nova São Bernardo, projeto de zeladoria para cuidar melhor da cidade.

A primeira ação foi realizada nos bairros Batistini e Jardim do Lago. Além de Morando, compareceram o vice-prefeito e secretário de Serviços Urbanos, Marcelo Lima, e o secretário de Transportes e Vias Públicas, Fernando da Costa. Trabalhadores diretos e terceirizados realizaram o plantio de mudas de Ipê-amarelo e iniciaram trabalhos de roçada.

As ações do Nova São Bernardo contam com plantio de mudas, serviços de limpeza de boca de lobo e galerias, roçadas e capinação, pintura de guia e postes, sinalização viária, manutenção de calçadas e tapa-buracos, além de operação bota-fora e colocação de novas lixeiras.

Morando plantou uma árvore para marcar o início da administração. “O plantio dessa árvore simboliza a esperança. Em um mês, a sociedade vai notar que a cidade estará mais bem cuidada. Este é um dos papeis importantes da nova administração”, declarou.

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