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Orlando Morando afirma que eleição acabou e que agora é prefeito de todos

“Não vou discutir eleição de 2018 agora. Acho um desrespeito para quem acabou de ser eleito”. Foto: Eberly Laurindo

Com a voz rouca após a vitória, Morando disse ainda que “não é um bom exemplo” o fato de Lula não ter votado na cidade. Aos 71 anos, o ex-presidente não é mais obrigado a comparecer às urnas e não tinha candidato, já que o petista Tarcisio Secoli terminou em terceiro lugar. A eleição de Morando veio na esteira das vitórias patrocinadas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Estado de São Paulo.

O sr. vai cumprir a promessa de que seu primeiro ato no governo será exonerar os petistas da prefeitura?
É um fato normal. Tem uma troca de governo, não faz sentido eu manter a equipe do ex-prefeito. Então não é uma polêmica. Quais petistas vamos exonerar? Aqueles com cargos comissionados. Cargos de diretoria, secretaria, cargos de confiança.
Isso gera um pânico, temos que tomar cuidado. Por exemplo, o cara entrou na gestão do PT para ser vigilante em empresa terceirizada. Não é esse trabalhador que nós vamos demitir. Agora, os cargos comissionados, que são ligados ao governo, eu vou exonerar todos. Tem aqui uma outra parte que é contratada através de fundação ou ONGs. Isso aí nós vamos olhar, até porque nós vamos diminuir esses contratos.

Pessoas desses setores vão ser demitidas então?
Isso é uma avaliação que nós temos que ver. Agora os cargos comissionados, esses vamos exonerar todos.

O sr. foi acusado por lideranças petistas de adotar um discurso de ódio na eleição. Como fica o clima na cidade depois de uma disputa polarizada?
Isso nunca existiu da minha parte. O que nós temos é diferenças. O meu projeto é diferente do projeto do PT. Eu sou oposição. É o papel da oposição. O PT sabe melhor do que ninguém o que é isso. Eles foram oposição por muito tempo. Agora, não tem ódio. A eleição acabou no domingo (30). A partir do dia 1º de janeiro, eu sou prefeito de todos. As posturas de governo é que são diferentes.

Existe uma animosidade na cidade?
Eu andei hoje boa parte da cidade agradecendo. O clima é muito generoso. Até porque. no meu discurso de domingo, eu deixei claro que o processo foi encerrado. Eu perdoei os meus adversários pela baixaria e pela mentira que foi pregada. A vida continua. A cidade é muito maior do que os políticos e os partidos. A eleição está encerrada e agora é olhar para o futuro.

O que o sr. achou sobre o ex-presidente Lula não ter votado no segundo turno?
É um direito dele. Ele passou dos 70 anos, ele pode não votar. Mas não acho que isso é bom para a democracia, para a cidadania. Não acho que é um bom exemplo, mas eu respeito. É a decisão dele. Até porque ele não seria meu eleitor mesmo, então não senti nada.

O sr. mencionou Lula no seu discurso de vitória. A eleição de 2008 ainda está engasgada?
Não. Eu falei porque ele não pode achar que a verdade dele é maior do que a verdade de todo mundo. Ele, quando era presidente da República, a verdade dele era muito soberana. E ele me acusou aqui de forma violenta em 2008.
Eu levei isso num sentido, apara a minha militância, de que não pode ter ódio. Para que a gente pudesse hoje manter a calma e a tranquilidade com os adversários, que acabaram sendo derrotados.

Como vai ser a transição de governo? O sr. já falou com o prefeito Luiz Marinho (PT)?
Eu não o procurei hoje, vou aguardar até o final do dia. Se não for procurado, vou procurá-lo a partir de amanhã.

O prefeito não ligou para o senhor?
Pode ser que ele tenha ligado e eu não atendi. Eu recebi muitas ligações.

Qual a expectativa para a transição?
Espero que seja tranquila. Estamos num país republicano. O (prefeito Fernando) Haddad [PT] deu um bom exemplo em São Paulo. Espero o mesmo aqui.

O sr. recebeu ligação do seu adversário, Alex Manente (PPS)
Não.

O PSDB foi o maior vencedor dessas eleições. Num cenário de crise, o partido vai conseguir cumprir a expectativa?
Aquilo que assumi o compromisso, vou cumprir. Eu não posso falar pela minha legenda. Tenho que falar pelo meu plano de governo, e o meu plano de governo nós vamos cumprir.

Aumentou a responsabilidade do PSDB agora?
A minha responsabilidade é a mesma de quando eu comecei a campanha. Não é porque nós ganhamos mais prefeituras que a responsabilidade aumenta. Acho que todos que ganharam tem que ter a mesma responsabilidade.

O senhor entrou na politica jovem como vereador e hoje é deputado estadual. O que o sr. acha desse discurso antipolítico que acabou vencendo em São Paulo e Belo Horizonte?
Não acho que é um (discurso) antipolítico. Acho que as pessoas estão buscando hoje alguém que faça mais e fale menos. Eu sempre tive o viés da política e o viés empresarial. Sou vice-presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados).
As pessoas querem solução rápida. O que a sociedade não quer mais é discurso e desculpa para os problemas. Tem que ter um apontamento claro de solução. Acho que essa é a grande diferença.

Mas essa fala de não ser político não puxa voto?
Não sei. Vocês estão fazendo um balizamento por dois quadros, mas e todos os demais que são políticos e foram eleitos? O (Marcelo] Crivella foi eleito no Rio e é senador. A eleição municipal é tratada sob a ótica local.

O sr. já pensou nas secretarias do seu governo?
Não paramos para pensar e ninguém está autorizado a falar de secretaria por enquanto.
O PC do B não vai ter nenhuma secretaria por ter apoiado o sr.?
Não, até porque não fizeram parte da nossa aliança no primeiro turno e eu não negociei o apoio deles com nenhuma secretaria. Então posso afirmar que eles não terão nenhuma secretaria.

O sr. tem planos para 2018 ou 2020?
Planos de quê?

Reeleição, por exemplo.
Meu plano agora é ser um bom prefeito e entregar ao povo de São Bernardo o que eu me comprometi.

O governador Geraldo Alckimin é candidato do sr. à presidência em 2018?
Eu não vou discutir eleição de 2018 agora. Acho um desrespeito para quem acabou de ser eleito. Desrespeito com meu eleitor.

O sr. disse ser contra a ideologia de gênero, o que quis dizer com isso?
Me acusaram, por causa do apoio do PC do B, ficaram a campanha inteira do segundo turno dizendo que eu era a favor do aborto, que eu era a favor de ideologia de gênero. Eu nunca fui. Isso foi um a resposta à mentira.

O sr. não acha que a questão do gênero tem que ser discutida nas escolas?
Não.

Nem orientação sexual? Respeito à diversidade?
Respeito a gente tem que ter com todos os seres humanos. Isso não é uma pauta que estará sendo tratada no nosso mandato.

Qual o principal problema de São Bernardo do Campo e o que o sr. vai fazer a respeito?
É o desemprego. Vamos ter redução de carga tributária, lei de incentivos fiscais, vou reindustrializar nossa cidade.

Paulo Serra (PSDB), eleito em Santo André, falou em gestão metropolitana em parceria com João Doria (PSDB), eleito na capital. O sr. acha possível uma gestão mais integrada entre vocês?
Eu acho que é importante. Nós temos problemas que são comuns. Trânsito, enchente, segurança. Eu defendo a ideia de ter uma gestão compartilhada em algumas áreas específicas.

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