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Oposição tenta criar comissão para fiscalizar fornecimento de água em Mauá

Oposição tenta criar comissão para fiscalizar fornecimento de água em mauá
Pedido feito por Marcelo de Oliveira será votado na próxima sessão. Foto: Divulgação/Câmara

Movimentou a sessão de ontem (20) na Câmara de Mauá requerimento de autoria do vereador Marcelo de Oliveira (PT), que pediu a instalação de comissão especial de acompanhamento para fiscalizar a atuação da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) no fornecimento de água para o Saneamento Básico de Mauá (Sama). Uma suposta redução na vazão da água enviada ao município pode ser o motivo de constantes falhas no abastecimento e de muitas reclamações por parte dos munícipes e vereadores.

“É uma cobrança grande pela falta de água constante. Não sabemos se a Sabesp está mandando menos água.Não sabemos o que é. Essa comissão é para encontrar um caminho junto com o governo e entender o que está acontecendo”, explicou o petista. Os vereadores Francisco Esmeraldo, o Chiquinho do Zaíra (Avante), e Ricardo de Almeida, o Ricardinho da Enfermagem (PTB) assinaram o requerimento. “Vou continuar falando com os vereadores, porque a votação será só na semana que vem. Esse requerimento não é da situação nem da oposição, é da cidade”, completou.

A visão do governo, no entanto, é que há uma tentativa de politização da questão e o requerimento deve ser rejeitado na próxima sessão. “Por que a base do governo tem de aprovar um requerimento feito pela oposição? O governo está trabalhando nisso de maneira firme”, contestou o secretário de Governo, João Gaspar. “Estamos entrando em um período de disputa eleitoral. O problema da água não pode ser usado para fazer política. É um problema contratual, que já está ajuizado”, destacou.

Negociação

Para Gaspar, a questão já vem sendo tratada pela administração, que está em negociação permanente com a Sabesp sobre a cobrança da dívida da Sama. “Já temos decisões judiciais que dão ganho de causa ao valor que a Sama vem pagando pela água. Hoje, o que se tem, é uma redução na vazão em um momento de aumento das temperaturas. Se a Sabesp está reduzindo, isso tudo vai ser discutido. A criação de uma comissão hoje é desnecessária”, pontuou o secretário.

Questionada sobre as negociações com a Sama e sobre redução na vazão, a Sabesp informou, por meio de nota, que “a empresa continua dialogando com a prefeitura e informará eventuais avanços nas negociações. A distribuição de água em Mauá não é feita pela Sabesp, é de responsabilidade da Sama, empresa municipal de saneamento. Cabe a essa companhia esclarecer a falta d’água”.

Protesto na sessão

A sessão na Câmara de Mauá, ontem, foi marcada por protestos de munícipes. Dois grupos distintos colaram cartazes nas grades do plenário na tentativa de chamar a atenção dos parlamentares para seus problemas. Entre as queixas, reivindicação de obras de infraestrutura no Jardim Kennedy e liberação de novas licenças para condutores escolares.

As donas de casa Cristiane Alves dos Santos e Joana Dar’c Ferreira faziam parte do grupo de munícipes do Jardim Kennedy. Os moradores reclamam que duas vias do bairro, as Ruas Osvaldo Elias e Maria da Silva, estão cheias de buracos, sem coleta de esgoto e sem remoção regular de lixo. Foi próximo a essa região que em janeiro um garoto de 10 anos morreu após soterramento.

“O prefeito esteve lá logo depois que o menino morreu. Aí, ficou para o final de janeiro, depois ficou para o final de fevereiro e a gente já está em março e até agora nada”, reclamou Cristiane. “Não temos infraestrutura nenhuma. Até tem ruas próximas asfaltadas, mas essas duas, é uma vergonha. Esperamos por isso há mais de 30 anos”, completou Joana.

Entre os condutores escolares a reclamação é o longo período que a administração municipal não emite novas licenças de trabalho. “Há pelo menos 18 anos ninguém recebe um novo alvará. Existe uma grande demanda, o número de escolas aumentou, o número de alunos também, e a gente quer trabalhar dentro da legalidade”, afirmou Ednei Aparecido Felipe.

A Prefeitura de Mauá não respondeu aos questionamentos do Diário Regional, nem às reclamações até o fechamento desta edição.

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