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Operação policial põe sob suspeita apoio do BNDES à expansão da JBS

Movimentação na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro, durante a Operação Bullish. Foto:  José Lucena/Futura Press/FolhapressA Polícia Federal deflagrou nesta sexta (12) a Operação Bullish, uma investigação sobre suspeitas de irregularidades na maneira como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou investimentos de R$ 8,1 bilhões na expansão da JBS, maior processadora de carne do mundo. A JBS é controlada pela J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e foi alvo de outras ações policiais nos últimos meses, que levantaram suspeitas sobre financiamentos com recursos do FGTS e de fundos de pensão e relações da empresa com políticos.

Wesley foi levado para depor em São Paulo. Joesley, que também foi alvo de mandado de condução coercitiva, não compareceu à delegacia porque estava nos Estados Unidos na sexta-feira. Também foram expedidos mandados de busca e condução contra o ex-presidente do banco Luciano Coutinho, que se encontra na Europa. Tanto ele quanto Joesley devem depor na próxima semana, quando voltarem ao país. Além de Coutinho, cerca de 30 funcionários do banco estatal estão sob investigação.

Em nota, a JBS afirmou que não recebeu nenhum favorecimento do BNDES e todas as operações respeitaram a legislação e as regras de mercado.

Um exemplo de desvio de finalidade citado pela PF é a desistência da compra da americana National Beef pela JBS sem que a empresa devolvesse recursos ao BNDES. Em abril de 2008, o banco concedeu R$ 995,8 milhões para a JBS tentar comprar as empresas National Beef, Smithfield Beef e Five Rivers.

A JBS desistiu da aquisição da National Beef, mas não devolveu o dinheiro do BNDES, como previsto em contrato. Guardou os recursos para futuras aquisições. Para a PF, houve desvio de finalidade. Para a PF, o BNDES usou premissas equivocadas para calcular o valor dos papéis da JBS e pagou mais do que devia. As aquisições foram feitas pelo BNDESpar, braço de investimentos do banco.

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