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Operação da PF mira advogado de Renan e aliados de Jucá e Sarney

Polícia Federal cumpriu 10 mandados de busca  e apreensão; não  houve prisões. Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem/FolhapressA Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (28) a Satélites 2, segunda fase da operação que mira pessoas relacionadas a políticos que estão sob investigação no âmbito da Lava Jato. Entre os alvos está o advogado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) Bruno Mendes, que já foi assessor parlamentar do alagoano.

Também foram alvos uma ex-assessora do gabinete do senador Romero Jucá (PMDB-RR), um assessor do ex-presidente da República José Sarney (PMDB) e um antigo chefe de gabinete do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). Outras pessoas ligadas ao PMDB nesses estados também foram alvo da operação. O escritório de Mendes em Brasília sofreu busca e apreensão nesta sexta.

Os mandados judiciais foram pedidos pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e expedidos pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, relator da Lava Jato na corte. Foram expedidos 10 mandados para serem cumpridos em Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, São Paulo e no Distrito Federal, todos de busca e apreensão. Não houve prisões.

Por meio de nota, a PGR informou que o objetivo da ação é “coletar provas de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, entre outros, em investigações relacionadas a desvio de recursos na Transpetro”. A Satélites 2 foi baseada na delação do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, que é colaborador da Lava Jato, e de mais dois empresários.

Bruno Mendes participou de uma conversa gravada por Machado e apresentada em sua delação em que estavam presentes também o senador Renan Calheiros e o ex-ministro da Transparência Fabiano Silveira. Na reunião, se queixaram da Justiça e da Lava Jato. Depois da divulgação da conversa, Silveira deixou de ser ministro do governo Temer.

Bruno Mendes também foi citado na delação de Ricardo Pessoa, dono na UTC. O empreiteiro afirmou que Mendes operacionalizou o recebimento de propina ligada a Usina Angra 3. Segundo Pessoa, ele mesmo doou R$ 1,5 milhão à campanha de Renan Filho, filho do senador, ao governo de Alagoas e descontou o montante da propina a ser paga referente à obra. Também foi alvo da ação Caio Gorentzvaig, ex-presidente da Triunfo, que diz que a empresa foi beneficiada pelo governo Lula para favorecer à Oderecht a ter o monopólio do polo petroquímico do Sul.

Outro lado

O advogado Luís Henrique Machado, defensor de Bruno Mendes, disse que na operação “não foi localizado, identificado ou apreendido, nenhum objeto de valor, como dinheiro em espécie, obras de arte ou joias que pudessem aparentar origem suspeita ou resultado de conduta ilícita. Basicamente foram recolhidas cópias relativas à defesa de clientes, rascunhos de discursos e cartões de visita.”

“Tudo isso demonstra que não há nenhuma evidência ou participação do advogado nos fatos investigados”, conclui a nota.

A assessoria de imprensa de Renan Calheiros disse que ele não pretende se manifestar sobre a operação. A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa dos outros mencionados.

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