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Ociosidade diminui nas indústrias do ABC, mas empresários estão menos otimistas

Scania é uma das montadoras que aumentou a produção para atender exportações. Foto: Divulgação/ScaniaO nível de ociosidade no parque fabril do ABC voltou a cair no segundo trimestre deste ano. Atualmente, as indústrias da região usam, em média, 63% de sua capacidade, contra 62,3% em fevereiro e 55% em junho do ano passado.

Os dados constam do segundo Boletim IndústriABC, levantamento re­a­­­lizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

Em 12 meses, o nível de utilização da capacidade instalada do ABC subiu oito pontos porcentuais. Com is­­so, a região trabalha atualmente com ociosidade na casa de 37%, inferior aos 45% apu­rados em junho de 2016.

O patamar atual de ocupação ainda es­tá longe do ideal (entre 80% e 90%), como resultado do ainda fraco consumo interno, decorrente do aumento do desemprego e da queda na renda das famílias. Porém, o boletim revela crescimento na produção em quatro dos últimos seis meses, que as entidades associam ao aumento das exportações.

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exte­rior e Serviços (MDIC), os sete municípios enviaram quase US$ 2,6 bilhões ao exterior no primeiro semestre, montante 13,3% superior ao auferido no mesmo período do ano passado.

O resultado foi puxado, principalmente, pelo aumento de 20,1% nos embarques de veículos, para US$ 1,15 bi­­­lhão, no primeiro semestre. Sede de seis montadoras (Ge­neral Motors, Ford, Volkswagen, Scania, Mercedes-Benz e Toyota) e de imenso parque de produção de autopeças, o ABC tem no setor automotivo sua principal pauta exportadora.

“Há expectativa de aumento da demanda interna em alguns setores, como resultado da melhora do ambiente econômico. Além disso, houve significativo crescimento nas exportações do setor automotivo, devido ao câmbio estável e ao esforço das montadoras para amenizar os efeitos do mercado interno fraco, o que também ajudou a estabilizar o nível de emprego no setor”, comentou Sandro Maskio, coordenador do Observartório Econômico da Umesp.

Otimismo diminui

Paralelamente à melhora em alguns indicadores, o boletim revela também queda na confiança dos industriais.

O estudo mostra que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do ABC caiu de 61,8 em março para os atuais 52,9, em uma escala que vai de zero (pes­simista) a 100 (otimista).

“Houve uma piora nas expectativas em função das incertezas que envolvem o governo. Se é fato que os indicadores de inflação melhoraram, há dúvida quanto à permanência do presidente Michel Temer e quanto à capacidade do governo de dar continuidade às reformas e aos ajustes estruturais na economia”, disse Maskio.

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