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Novo VW: de São Bernardo para o mundo

Novo VW: de São Bernardo para o mundo
A plataforma MQB será base para o CUV a ser feito em São Bernardo e que deve ter design semelhante ao do Cuopé Concept. Foto: Divulgação/VW

Pela primeira vez desde o iní­cio de suas atividades, há 60 anos, a fábrica da Volkswagen em São Bernardo está desenvolvendo um mo­delo global que, além de ser exportado, terá produção na Europa.

Trata-se de um misto de uti­litário esportivo e cupê, que a montadora batizou de CUV (Crossover Urban Vehicle, ou cros­sover urbano) e será produzido sob a plataforma mo­dular MQB-A0, a mesma dos “irmãos” Polo e Virtus, ambos fabricados em São Bernardo.

Previsto para chegar às concessionárias no início do próxi­mo ano, o novo modelo foi apresentado à direção da matriz alemã, que gostou do projeto e deci­diu produzi-lo no mer­cado europeu. “A matriz achou o carro muito bonito e legal”, disse à Agência Estado o che­­fe global de ope­rações da Volks­wagen, Ralf Brandstätter, em rápida visita ao Brasil na semana passada.

Pouco se sabe sobre o mo­delo – que o mercado batizou informalmente como T-Sport, nome recém-paten­teado pela VW –, mas a aposta é que será menor que o T-Cross, SUV lançado em março deste ano, e terá co­mo concorrentes Renault Step­way, Hyun­dai HB20X e Hon­da WR-V, entre outros.

Engana-se, porém, quem ima­gina que o CUV será só mais uma versão aventureira de um carro já em produção. O mo­delo terá design próprio.

O T-Sport deve ter linha de cintura alta e, como um cupê, teto que se inclina suavemen­te em direção à traseira. Um exemplo dessa proposta é o SUV Coupé Concept, carro-conceito apresentado recen­temente pela própria Volks­wagen no Salão de Xangai.

Esse formato de carroceria foi adotado pela primeira vez em 2005, no SsangYong Actyon. A maioria torceu o nariz à época, mas logo a mistura inusi­tada virou tendência e acabou adotada em modelos de luxo, como o BMW X6.

Há perda no espaço interno, mas as montadoras têm apos­tado no formato de cupê como diferencial no segmento de SUVs. Ocorre que, por tomar o lugar das minivans e pe­ruas como veículos fami­lia­res, os utilitários esportivos per­deram o apelo de “descolados”.

Em uma antiga apresenta­ção, na qual mos­tra­va seus planos para o mercado de SUVs, a VW fez referência a um cros­sover como porta de entrada do segmento, destinado a um público com renda na casa de R$ 10 mil (contra R$ 13 mil do T-Cross) e idade inferior a 40 anos (contra 45 do Tarek).

Assim, o novo modelo de­ve ser menor e mais acessível do que o T-Cross. As apostas giram em torno de R$ 70 mil como preço de entrada do CUV, contra R$ 85 mil do “irmão”.

ACORDO

A produção do modelo em São Bernardo foi revelada em abril do ano passado pelo Sindicato dos Me­ta­lúrgicos do ABC. Naquela opor­tunidade, os funcioná­rios da unidade aprovaram em assembleia acordo que viabilizou a fabri­cação do CUV e a possi­­bili­­da­de de comparti­lhamento do excedente de um de seus mo­delos com outra planta, caso a Anchieta atinja o li­mite de sua capacidade.

Em março, a VW parou as ativida­des da fábrica por 12 dias com o objetivo de adequar a li­nha de montagem à novidade.

O desenvolvimento e a pro­­dução do T-Sport integram pacote de investimentos de R$ 7 bilhões anunciado pela montadora em 2017 e que prevê o lançamento de 20 mo­delos até 2020, dos quais 13 já chegaram às revendas.

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