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Novo ‘Star Wars’ narra construção da Estrela da Morte

Foto: Divulgação

Na première mundial de “Rogue One: Uma História Star Wars”, Bob Iger, o CEO da Disney, declarou que o filme, o primeiro de uma série de longas desgarrados da mitologia principal de “Star Wars”, “não é, em nenhum sentido, politizado”.

A preocupação do executivo era evidente: na corrida presidencial americana, fãs estavam comparando o então candidato republicano Donald Trump ao Imperador, lorde maquiavélico do universo criado por George Lucas, enquanto Hillary Clinton seria a líder da Rebelião.

A analogia ganhou força com declarações de dois dos roteiristas de “Rogue One”, Chris Weitz e Gary Whitta. “Notem que o Império é uma organização de supremacia (humana) branca”, escreveu Weitz no seu Twitter, seguido por Whitta: “Confrontada por um grupo multicultural liderado por bravas mulheres”.

O filme, que estreia amanhã (15), tem rebeldes vividos por uma inglesa (Felicity Jones) e um mexicano (Diego Luna), ajudados por um elenco com dois chineses (Donnie Yen e Wen Jiang), um americano negro (Forest Whitaker) e um filho de paquistaneses (Riz Ahmed). Do lado do Império, há o dinamarquês Mads Mikkelsen e o australiano Ben Mendelsohn.

A diversidade racial não agradou a grupos racistas, que tentaram propagar a hashtag #DumpStarWars (#LargueStarWars), mas sem sucesso: o filme deve fazer mais de US$ 130 milhões só neste fim de semana.

“’Star Wars’ é o universo mais exótico que existe”, diz o diretor Gareth Edwards (“Godzilla”) à reportagem. “Nesse espectro, no mínimo o filme deveria refletir toda a humanidade. Senti que era nossa obrigação.” A presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, concorda com o cineasta: “É importante para ‘Star Wars’, e mais para a indústria do cinema no geral”.

A mensagem do longa é clara: a união das raças é a esperança contra um regime totalitário. “A ficção científica funciona melhor quando é simbólica”, acredita Edwards, que começou a trabalhar em “Rogue One” há dois anos e meio, época em que a candidatura de Trump era vista como piada.

“Não tínhamos ideia do que iria acontecer, mas acredito que a história se repete e vivemos em ciclos. Qualquer relação de ‘Star Wars’ com o mundo real não é proposital, ela vem do fato de a humanidade não mudar.”

O novo longa, cuja trama precede a de “Guerra nas Estrelas” (1977), primeiro filme lançado da franquia, é cheio de ambiguidades morais.

Jyn Erso (Jones) é filha do engenheiro responsável pela Estrela da Morte; ele aceita criar a estação mortífera do Império para proteger a família.

Os rebeldes estão desunidos diante da formação do Império e da extinção dos Cavaleiros Jedi. A única esperança é a obtenção dos planos para destruir a nova arma do Imperador.

O capitão Cassian Andor (Luna) mata a sangue frio um informante que poderia passar informações aos inimigos.

“Vivemos em um mundo complexo e a escolha certa pode parecer algo horrível, mas são pessoas em guerra”, diz Diego Luna.

Refilmagem

Em junho, a menos de seis meses do lançamento, o diretor convocou o elenco para refilmar cenas com um terceiro ato reescrito por Tony Gilroy (dos filmes “Bourne”).

Edwards confirma ter feito mudanças após notar que cenas feitas com “câmeras de mão”, para dar um ar mais documental às cenas de batalha, não combinavam com tomadas mais tradicionais.

“Quando você está fazendo ‘Star Wars’, o olhar sobre você é maior. Não dariam a menor bola se fosse outro filme”, diz o cineasta britânico, que, apesar da saia justa, não se arrepende do trabalho.

“Não dava para recusar a chance de fazer um longa ligado ao meu filme preferido. Viramos os rebeldes da franquia tentando rodar um grande filme de ‘Star Wars’.”

Ele conseguiu. “Rogue One” é o filme a mais ousado da série, com batalhas espetaculares e um clima mais sombrio que o de “O Império Contra-Ataca” (1980).

Para os fãs dos longas antigos, vários personagens reaparecem, alguns inteiramente digitais. Mas é Darth Vader (com a voz de James Earl Jones) que rouba a cena em duas sequências –em uma delas, mostrando todo seu poder Sith.

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