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Novo ministro quer ‘pacificar’ MEC e diz que ‘quem não ficar satisfeito’ será retirado

Novo ministro quer 'pacificar' MEC e diz que 'quem não ficar satisfeito' será retirado
Weintraub foi empossado pelo presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Antonio Cruz/ABr

Durante a transmissão de cargo, o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez discurso duro e direto contra a disputa interna na pasta entre grupos “olavistas” e militares. O ministro disse que chega para “pacificar” o ministério, mas decretou “um novo rumo” e afirmou que “quem não ficar satisfeito” será retirado.

“A gente vai pacificar o MEC. Como funciona a paz? A paz a gente decreta a partir de agora, pois o MEC tem rumo e direção. Quem não estiver satisfeito com ela, por favor, avise que vai ser retirado”, afirmou o ministro.

O discurso durou pouco mais de oito minutos e teve tom constante de crítica às disputas internas na pasta. O ‘Estado’ mostrou que a disputa entre grupos olavistas e militares contribuiu para a queda do ex-ministro Ricardo Velez Rodrigues.

Em grupos privados e nas redes sociais, integrantes do grupo do filósofo e escritor Olavo de Carvalho acusaram militares de tentar expurgá-los do Ministério da Educação para frear as investigações da “Lava Jato da Educação”, pente-fino anunciado pelo governo nos contratos firmados nas gestões passadas.

Os “olavistas” acusavam coronéis e generais da reserva com cargos na pasta de isolar o então ministro Vélez Rodríguez e “sabotar” ações no setor defendidas na campanha de Jair Bolsonaro. Em seu breve discurso, o novo ministro afirmou que não haverá espaço para contestar as diretrizes do governo.

“Eu posso ter posição diferente do presidente Bolsonaro, mas tenho duas alternativas: ou eu obedeço ou eu caio fora”, afirmou o ministro. “A pessoa pode ter a convicção pessoal que for. Eu tenho as minhas convicções pessoais, mas a partir do momento em que entro no governo, tenho de me pautar pelas convicções do topo”, completou.

Para o ministro, a pasta deve ter só uma direção. “Não existe hipótese de que, aqui dentro, haja discordância.”

Antes dele, ex-ministro Ricardo Velez Rodriguez defendeu sua gestão à frente da pasta e criticou a imprensa. Em um discurso de 20 minutos, Velez disse que “organizou a casa” e deixou caminho a ser trilhado pelo novo titular. Afirmou ainda que pagou preço por propor mudanças profundas no MEC.

“O senhor vai encontrar a casa em ordem, com as cinco secretarias funcionando a contento”, afirmou. “Paguei um preço, mas não me arrependo. Nunca esmoreci para tirar do MEC as más práticas”, prosseguiu.

O ex-ministro fez questão de ressaltar que a Lava Jato da Educação – anunciada pelo governo no início do ano, mas que até o momento não apresentou resultados práticos – está “ativa” e que os primeiros documentos e nomes foram remetidos ao Ministério da Justiça.

O discurso de Velez foi marcado pela defesa dos poucos mais de três meses em que esteve na pasta. O ex-ministro citou cada um dos generais que faz parte do corpo do MEC e foi interrompido apenas uma vez.

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