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UE solicita ao Brasil explicações sobre a nova fase da Carne Fraca

Nova fase da Operação Carne Fraca prende ex-presidente da BRF
PF investiga denúncia de fraude em amostras laboratoriais. Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress

Atualizado às 17 horas

A União Europeia disse que vai pedir ao governo brasileiro informações sobre a nova fase da Operação Carne Fraca, da qual a BRF foi alvo.

À agência Bloomberg uma porta-voz de saúde da Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, afirmou que poderá adotar medidas adicionais aos controles implementados no ano passado à carne brasileira após a primeira fase da operação, deflagrada em março.

No ano passado, até novembro, o Brasil foi responsável por 50% de toda a carne de frango importada pela UE. Foram 376 mil toneladas compradas pelos europeus, queda de 20% em relação ao mesmo período de 2016.

Em nota, a BRF diz que a companhia “segue as normas e regulamentos brasileiros e internacionais referentes à produção e comercialização de seus produtos, e há mais de 80 anos a BRF demonstra seus compromissos com a qualidade e segurança alimentar, os quais estão presentes em todas as suas operações no Brasil e no mundo”.

Investigação

Ao contrário da Operação Carne Fraca, que colocou em xeque todo sistema de defesa agropecuário brasileiro e envolveu diversas empresas, as investigações da Polícia Federal reveladas nesta segunda-feira (5), tem apenas um alvo: a BRF, formada pela fusão de Sadia e Perdigão. A gigante de alimentos é a única investigada dessa terceira fase, denominada Operação Trapaça. Foram 53 mandatos de busca e apreensão, 27 de condução coercitiva e 11 de prisão temporária, incluindo a do ex-presidente da empresa, Pedro Faria.

As ações da BRF recuaram 19,75% na bolsa e a empresa perdeu R$ 5 bilhões de valor de mercado. O ministério da Agricultura suspendeu as exportações de carne de frango das três plantas da empresa envolvidas nas investigações para 12 países, incluindo União Europeia, Israel e Coréia do Sul. A BRF tem negócios com 150 países.

Não ocorreram relatos, porém, de navios parados, bloqueios aos produtos brasileiros ou ameaça à saúde pública. “Não houve tanto ruído como da outra vez. Os países já fizeram extensas verificações nas fábricas brasileiras”, disse Francisco Turra, presidente executivo da ABAPA, entidade do setor de carnes.

O impacto setorial é menor porque os fiscais do Ministério da Agricultura agora aparecem como supostas vítimas da BRF. Na primeira fase da Carne Fraca, deflagrada em março do ano passado, eram acusados de receber propinas das empresas para falsificar certificados.

Acusações

As investigações contra a BRF estão divididas em três linhas principais, que não parecem ter uma conexão clara entre si: fraudes em amostras laboratoriais em Rio Verde (GO), contaminação de granjas em Carambeí (PR) e uso de produtos proibidos para fabricação de ração em Chapecó (SC).

A acusação mais grave grave aponta que os executivos tentaram abafar uma denúncia de fraudes em amostras laboratoriais para manter a empresa dentro do limite de contaminação por bactéria aceitável pelos importadores.

Em outro caso, uma granjeira integrada da empresa em Carambeí (PR) relatou que recebeu um lote de 46 mil pintos para engorda contaminados pela bactéria salmonela. Outros granjeiros relataram o mesmo problema.

Na terceira investigação, trocas de e-mails entre funcionários indicam que a empresa utilizava produtos proibidos na composição de uma ração chamada Premix e que falsificava sua documentação enviada ao governo.

Em nota, a BRF informa que “está mobilizada para prestar todos os esclarecimentos à sociedade”. Sobre a contaminação nas granjas diz que existem 2,6 mil tipos de salmonela e que bactéria encontrada não afeta a saúde humana.

Sobre as fraudes laboratoriais, avisa que “as acusações da ex-funcionária foram tomadas com seriedade” e que “medidas técnicas e administradas foram implementadas para aprimorar os procedimentos internos”. No caso do composto Premix, destaca que está investigando o teor das mensagens.

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