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Nossos hábitos de compra mudaram com a pandemia. Você se deu conta disto?

Família&Finanças: Equilíbrio financeiro e saúde emocional
Sérgio Biagioni Junior

Família & Finanças

Por Sérgio Biagioni Junior

 

Durante décadas, sempre que você ou seus pais decidiam comprar alguma coisa, obrigatoriamente, precisavam se deslocar a uma loja de rua ou ao shopping para então efetivar a compra. Com a chegada da internet ao Brasil, o consumo começou a mudar e os hábitos de compra seguiram o mesmo caminho.

Nessa linha, não há como negar que a pandemia de covid-19 acelerou radicalmente o comércio eletrônico, tornando muito mais fácil, seguro e prático comprar, sem precisar sair de casa ou ainda sem precisar tirar o pijama.

Porém, caro(a) leitor(a), você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com minhas finanças pessoais e familiares? Posso lhe dizer com propriedade que essa mudança de hábito tem tudo a ver com a nova forma como você gasta seu dinheiro. Sabe por quê?

Pela facilidade e rapidez. Isto mesmo. A facilidade e a rapidez com que conseguimos comprar qualquer coisa pela internet, de qualquer lugar do mundo, faz com que não tenhamos tempo de pensar o quão necessário e indispensável é a compra que queremos realizar.

O deslocamento até uma loja física nos dava tempo de pensar, raciocinar, fazer contas e então comprar com racionalidade. Portanto, tínhamos tempo para, de fato, comprar com a certeza da necessidade.

Aproveitando-se desse novo momento, as empresas, em especial varejistas, se especializaram e desenvolveram seus sites com fácil navegação, fotos agradáveis, facilidade de pagamento, rapidez na entrega e, além disso, algoritmos para te “bombardear” com e-mails e propagandas exatamente sobre o produto que você deseja ter em sua casa.

Portanto, não é mágica. Isso se chama marketing estratégico, com a utilização de algoritmos, programas que identificam o que foi procurado, vinculam a informação ao “IP” do computador e, pronto, vai “chover” propaganda sobre sua busca ou intenção de comprar.

Assim, tome muito cuidado com compras impulsivas e repletas de facilidades a que temos acesso hoje em dia pela internet, pois podem te colocar, financeiramente falando, no vermelho, bagunçar seu fluxo de caixa e tirar sua paz.

Não se deixe iludir por propagandas, e-mails ou pop-ups enviados. Compre com a certeza da necessidade, após fazer contas e, preferencialmente, pague à vista.

Não há dúvidas que o ato de gastar dinheiro e consumir, comprando as coisas que queremos, é muito bom e prazeroso, certo? Porém, esse prazer material dura pouco tempo e pode se tornar um grande vilão de suas finanças pessoais e familiares, com poder para prejudicar seus relacionamentos familiares, sua saúde mental e até mesmo física.

Estudos mostram que nosso cérebro possui uma área chamada de sistema de recompensa ou sistema límbico, que processa informações relacionadas à sensação de prazer e satisfação, o qual é ativado naturalmente por meio de estímulos ambientais agradáveis, sendo também verdade que faz parte de nossos comportamentos viciosos.

Portanto, já sabemos que nosso cérebro não quer nos ver tristes ou desanimados e faz de tudo para que isso não aconteça. Partindo desse ponto e seguindo em direção às finanças e consumo, as coisas seguem o mesmo caminho. Quer ver?

Muitas vezes agimos, ou melhor, consumimos e gastamos seguindo aquelas velhos e antigos pensamentos: “Trabalhei muito, estou muito cansado e mereço comprar…”, ou “Estou me sentindo muito triste, e por isso, vou comprar…”

Aliás, existem inúmeros motivos para justificar sua compra ou seu gasto, visando a sensação de prazer e satisfação, sem culpa.

Percebeu como o cérebro encontra uma forma de agir e busca sempre nosso bem estar, fundamentado em uma ocorrência externa que justifique a ação, neste caso, de compra?

Pois bem, a atitude de comprar que tenha como ponto inicial suprir desilusões, reduzir ansiedade ou mesmo como forma de descontar aqueles “sapos engolidos” no serviço pode se tornar um vício perigoso para suas finanças e mesmo para sua saúde mental e física, pois sempre o cérebro vai encontrar um motivo para comprar.

O pior é que, quase sempre, compramos aquilo de que não precisamos e que será deixado de lado em pouco tempo, mas a conta sempre vem para ser paga.

Não acaba aqui. Infelizmente, muitas vezes gastamos dinheiro apenas para impressionar os outros, indo muito além de nossas condições e possibilidades financeiras, comprometendo sobremaneira nossas finanças, simplesmente para mostrar que o carro que temos é melhor, a roupa que compramos é de grife e o celular, de última geração.

Então, se você se reconheceu ou já se pegou agindo dessa forma tome cuidado. Lembre-se sempre e tenha consciência de que as armadilhas de consumo podem provocar grande problemas financeiros a você e sua família.

Boa sorte!

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