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No Japão, Temer diz que ‘se formos parar a cada denúncia, fica difícil’

Temer concedeu entrevista a jornalistas brasileiros, ontem. Foto: Beto Barata / PR

“Se a cada momento que alguém mencionar o nome de alguém isso passar a dificultar o governo, fica difícil”, afirmou o presidente Michel Temer ao dizer que o envolvimento de nomes de auxiliares em suspeita de corrupção não deve prejudicar a tramitação das reformas do governo no Legislativo.

Segundo reportagem da revista “Veja”, Claudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, citou em negociação para delação que Moreira Franco (Secretaria do Programa de Privatização de Infraestrutura), o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) teriam recebido propina.

“O envolvimento dos nomes se deu, convenhamos, por enquanto, por uma simples afirmação. Se um dia se consolidarem, o governo verá o que fazer”, disse Temer, em entrevista, ontem (18), no Japão. Pela manhã, Moreira Franco já tinha reafirmado o conteúdo de nota divulgada por sua assessoria, que descreve a suspeita como “mentira afrontosa”.

Na segunda-feira (17), o jornal “O Estado de S. Paulo” mostrou que, em depoimento, uma delatora da Carioca Engenharia disse que comprou gado superfaturado de uma empresa da família do ministro Leonardo Picciani (Esporte) como maneira de gerar dinheiro em espécie para abastecer caixa dois.

Descanso

Temer voltou a repetir na entrevista os termos que têm marcado seus pronunciamentos: reconstrução do país, diálogo com o Congresso, controle das contas públicas e crescimento econômico.

O presidente disse que manterá com o Congresso um diálogo que classificou como “frutífero, porque já conseguimos aprovar muita coisa ao longo desses meses, inclusive uma mais complicada como a PEC do Teto. Pelo diálogo, há grande interação do Executivo com Legislativo”.

Os mesmos motes haviam sido usados no discurso a empresários e investidores japoneses feito pela manhã por Moreira Franco. Temer declarou ainda que o controle das contas públicas é prioridade, mas que, ainda assim, o controle da dívida pública levará “dois ou três anos”.

Depois de chegar de madrugada a Tóquio vindos da Índia (onde participou de encontro dos Brics durante o fim de semana), o presidente e a primeira-dama, Marcela, ficaram em um hotel, descansando.

O presidente será recebido pelo imperador Akihito hoje (19). Marcela não poderá estar presente, já que sua contraparte, a imperatriz Michiko, estará fora. Ainda hoje, Temer participa de encontro com empresários e investidores japoneses. À tarde se reúne com o primeiro-ministro japonês. O casal deve ser recebido em jantar à noite, e volta ao Brasil na amanhã.

Esta é a primeira visita de um presidente brasileiro ao Japão desde 2006. Entre os objetivos de Temer na viagem, estão abrir o mercado japonês para produtos agropecuários brasileiros e atrair investimentos para o programa de concessões.

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