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No ano passado, desemprego atingiu mais homens do que mulheres no ABC

Em um cenário de recessão econômica, o mercado de trabalho do ABC fechou vagas para ambos os sexos no ano passado, mas foi mais perverso com os homens do que com as mulheres. Prova disso é que o desemprego cresceu pelo terceiro ano consecutivo na região, mas o avanço foi mais intenso no contingente masculino.

Dados divulgados ontem (7) pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelam que, na passagem de 2015 para 2016, a taxa de desemprego masculina aumentou 4,1 pontos porcentuais, para 15,9%. No caso das mulheres, a alta foi de 3,4 pontos, para 16,7%.

Com isso, a diferença entre as taxas de desemprego masculina e feminina caiu pa­ra 0,8 ponto, menor patamar da pesquisa divulgada anualmente para marcar as comemorações do Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje.

No ano passado, o nível de ocupação caiu para ambos os sexos, mas o tombo foi menor para as mulheres (-1,4%) do que para homens (-5,7%). Assim, o público feminino saltou de 45,8% para 46,9% do total de ocupados no ABC entre 2015 e 2016, respectivamente. Na mesma comparação, a “fatia” masculina caiu de 54,2% para 53,1%.

“Inicialmente, a queda da ocupação foi maior entre os homens por causa das demissões em setores como in­dústria e construção civil, ma­jo­ritariamente masculinos. Po­­­rém, devido à continuidade e generalização da crise, as mulheres também foram afetadas”, disse Cesar Andaku, economista do Dieese, durante a apresentação da pesquisa, no Consórcio Intermunicipal.

Se é fato que a desigualdade entre os sexos no mercado de trabalho da região caiu nos últimos dez anos acompanhando o crescimento do país, é fato que ainda persiste e se manifesta, por exemplo, na taxa de desemprego das mulheres superior à dos homens.

A disparidade também continua nos rendimentos, histo­ricamente maiores para os homens. Em 2016, os salários encolheram para ambos os sexos, mas a queda foi maior no contingente feminino (-10%) do que no masculino (-5,9%).

Com isso, o rendimento mé­dio das mulheres correspondeu a 75,3% do auferido pelos homens em 2016. No ano anterior era 78,7%.

Para a analista Leila Gonzaga, da Fundação Seade, a desigualdade persiste porque, além da carreira, as mulheres acumulam mais incumbências domésticas e familiares.
“A mulher tem menos tempo para se dedicar ao trabalho. Além disso, os homens têm mais chances de ascensão, uma vez que muitos gestores resistem em oferecer cargos de chefia as suas funcionárias”, disse Leila.

Para mudar esse cenário, a técnica defendeu a adoção de políticas públicas que ajudem a mudar o comportamento na sociedade e estimulem a inserção feminina, como o aumento no número de vagas em creches e de escolas de educação infantil em tempo integral.

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