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No ABC, 43 mil metalúrgicos aderiram à jornada reduzida e suspensão de contratos

No ABC, 43 mil metalúrgicos aderiram à jornada reduzida e suspensão de contratos
VW é uma das empresas que fecharam acordo com base na MP. Foto: Divulgação/VW

Quase 43 mil metalúrgicos do ABC fecharam acordos ba­seados na Medida Provisória (MP) 936 com o objetivo de pre­servar em­pregos e minimizar os impactos da pan­de­mia do novo corona­vírus so­bre a atividade fabril.

A MP 936 prevê a suspensão dos contratos de trabalho ou a redução da jornada com corte nos salários. Os funcio­nários nessa situação recebe­rão benefício emergencial do governo para amorte­cer parte da perda na renda da família.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que, dos 68 mil trabalhadores que compõem sua base (espalha­da por São Bernardo, Diade­ma, Ribeirão Pires e Rio Gran­de da Serra), 28 mil ade­riram à MP 936.

A lista de acordos fechados inclui 24 empre­sas, entre as quais as montadoras Volkswagen, Merce­des-Benz e Toyota.

Inicialmente, as empresas adotaram férias coletivas e banco de horas para manter seus trabalhadores em isolamento social. Porém, diante da pers­pectiva de que a crise será prolongada, essas duas ferramentas tornara-se insuficientes.

O sindicato comemora o fa­to de que, nas negociações pa­ra redução da jornada ou sus­pensão dos contratos, tem con­seguido obter das empresas a complementação dos ven­cimentos, de forma a minimizar ou até mesmo zerar as perdas nos salários líquidos, além da garantia de emprego.

É o caso da Mercedes-Benz, que suspenderá os contratos de 6 mil trabalhadores por dois meses – metade em maio e ju­nho e os demais em julho e agosto. Nesse período, a montadora vai preservar entre 80% e 100% dos salários líquidos, conforme a faixa de remuneração. A empresa vai complementar a ajuda emergencial bancada pelo governo, cujo valor corres­pon­de ao seguro-desemprego a que os trabalhadores teriam direito caso fossem demitidos.

“Temos pautado nossa atuação na garantia da segurança e saúde dos trabalhadores, bem como na preservação de empre­gos e salários”, disse o se­cretário-geral do sindicato e in­tegrante do Comitê Sindical de Empresa (CSE) na Mercedes-Benz, Aroaldo Oliveira da Silva.

SANTO ANDRÉ

O Sindicato dos Metalúrgi­cos de Santo André e Mauá, por sua vez, informou que 6 mil dos 12 mil trabalhadores de sua base aderiram à MP 936. Paranapanema e Maxion, ambas de Santo André, figuram entre as empresas com as quais a entidade intermediou acordos.

O diretor do sindicato Adil­son Torres, o Sapão, des­tacou que, na Paranapanema, os tra­balhadores com contratos sus­pensos terão o benefício emergencial pago pelo governo complementado pe­la empresa. “Para os salários até R$ 3 mil praticamente não haverá perdas e, em alguns casos, haverá até algum ganho”, afirmou.

Na Maxion, os funcio­ná­rios receberão da companhia vale-alimentação no valor de R$ 250. “Mais empresas deverão fechar acordos nos pró­ximos dias”, previu Sapão.

SÃO CAETANO

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano fechou, no início deste mês, acordo com a General Motors que prevê suspensão dos contra­tos de trabalho por dois meses pa­ra os trabalhadores da produ­ção e redução da jorna­da para os administrativos. A unidade em­prega 8 mil pessoas.

Dias depois, a GM decidiu aplicar a MP 936 a pedido do sindicato, que considerou a medida provisória aprovada pelo governo mais vantajosa que o acordo anterior. As regras foram mantidas, inclusive a redução de 5% a 25% nos vencimentos líquidos dos horistas, conforme a faixa salarial.

O presidente do sindicato, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, informou que outros 800 metalúrgicos da cidade fecha­ram acordos com base na MP.

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