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‘Não vamos aceitar passivamente’, diz sindicato, sobre fechamento da Ford

'Não vamos aceitar passivamente', diz sindicato, sobre fechamento da Ford
Wagnão: “Se tem essa intenção, a Ford há de pagar o preço pela decisão que está tomando”. Foto: Reprodução/Facebook

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, afirmou que a entidade “não vai aceitar passivamente” a decisão da Ford de fechar a fábrica de São Bernardo, segundo anúncio feito nesta terça-feira (19) pela montadora.

A entidade foi informada da decisão durante reunião com o presidente da Ford na América do Sul, Lyle Watters, e com o vice-presidente Rogélio Goldfarb. “É com indignação e revolta que recebemos, hoje, a confirmação de que a Ford vai fechar a fábrica de São Bernardo. Infelizmente, já estávamos nos preparando para esta notícia”, disse o dirigente, em vídeo postado nas redes sociais.

Wagnão lembrou que, desde o mês passado, o sindicato tem mobilizado os trabalhadores da unidade para cobrar da montadora novos investimentos na planta, que produz o hatch New Fiesta e os caminhões Serie F e Cargo. No ano passado, foram fabricadas 16 mil unidades do compacto.

Os trabalhadores da Ford têm estabilidade no emprego até novembro deste ano, garantida pelo acordo coletivo assinado em abril de 2018. A expectativa era de que, no período de vigência do acordo, as partes discutissem o futuro da planta de São Bernardo, com planejamento de novos investimentos. A montadora chegou a iniciar estudos para a vinda de novo projeto, mas não houve continuidade.

O temor era de que o iminente encerramento da produção do New Fiesta, úni­co carro feito em São Bernardo, levasse a empresa a fechar a planta da região.

Em 2016, devido à ociosidade na fábrica de São Bernardo, a Ford unificou as linhas de produção de carros e caminhões – o que, à época, gerou excedente de 850 trabalhadores.

“O anúncio (do fechamento) não considera a situação dos trabalhadores diretos e indiretos da Ford, aqueles que serão atingidos por uma empresa que somente visa o lucro”, afirmou Wagnão. “Se tem essa intenção, a Ford há de pagar o preço pela decisão que está tomando. Não ache que vai desistir de seus trabalhadores e continuar a vender tranquilamente no Brasil”, prosseguiu.

Os cerca de 3 mil trabalhadores foram orientados pelo sindicato a voltar para suas casas e só retornar à fábrica na próxima terça-feira (26), quando haverá assembleia às 6h30, na portaria 18. “Não vamos aceitar passivamente, e vamos fazer a luta necessária para reverter essa decisão”, concluiu Wagnão.

Segundo a nota publicada no site global da empresa, o fim da operação representa “importante marco para o retorno à lucratividade sustentável de suas operações na América do Sul”. Em balanço referente ao ano passado, a Ford apresentou prejuízo de US$ 678 milhões no continente.

GENERAL MOTORS

O anúncio ocorre em momento delicado para o setor automotivo na região. Em janeiro, a General Motors sinalizou  a possibilidade de deixar a América do Sul, onde mantém operações no Brasil e na Argentina, caso a empresa – que tem fábrica em São Caetano – não volte a ter lucro no continente.

Desde então, a montadora tem negociado com governos, trabalhadores, concessionárias e fornecedores com o objetivo de viabilizar novo plano de investimentos para o país, no valor de R$ 10 bilhões.

Segundo o presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, já há acordo fechado para redução de direitos com os trabalhadores da fábrica de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, que “coloca a cidade de novo no mapa de investimentos”. Porém, não houve acordo com os sindicatos de metalúrgicos de São Caetano e Gravataí (RS). Nesses locais,  a GM vai “respeitar os acordos que vão até 2019 e discutir a pauta para 2020”.

Em São Caetano, a montadora negocia incentivos fiscais com a prefeitura, por meio da redução do Imposto sobre Serviços (ISS) e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Entretanto, o prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) condicionou o benefício ao aumento na produção da unidade local. O tucano argumenta que a prefeitura não pode renunciar a receitas sem compensação, o que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Auricchio explicou que a compensação viria por meio do aumento dos repasses do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) decorrente do aumento da produção.

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