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Não tenho mais idade? Quem disse?!?!

Cada vez mais conscientes de suas vontades e donas de sua vida, mulheres enfrentam os padrões e fazem valer suas escolhas
Deborah: “saio para dançar sempre que possível, vou a bares mesmo sozinha, uso as roupas que gosto. Descrevendo parece tudo simples, mas a recriminação existe”. Foto: Arquivo pessoal

Cada vez mais conscientes de suas vontades e donas de sua vida, mulheres enfrentam os padrões e fazem valer suas escolhas

Atire a primeira pedra aquela mulher que nunca ouviu alguém dizer: “ah, mas você não tem idade para isso!”. Quando elas são crianças, pode até ser natural, mas quando falamos de adultas, quem estabelece o que pode e o que não pode de acordo com a idade? Cada vez mais, elas mesmas. Por isso, não é mais raro encontrar mulheres com mais de 30 que estão se aventurando – seja pela primeira vez, seja dando continuidade a um estilo de vida já consolidado – a fazer coisas “ditas de jovens”, como tatuagens, piercings, cabelos coloridos etc.

“Estamos num momento em que as escolhas visuais que antes eram ditadas pela idade, passam a ser determinadas pelo estilo de vida. Há blogs de mulheres maduras super estilosas e autênticas”, explicou a consultora de imagem e estilo, Mila Codato. A psicóloga Mari Pereira, de 52 anos, tem experimentado tudo o que tem vontade e não se priva de nada pela idade. Tatuagens, piercings, tocar bateria em blocos de carnaval, fazendo amizade com pessoas mais jovens e até namorar

homens mais novos que ela.

Bruna: “no geral me sinto muito bem, estou feliz com as decisões que tenho tomado, com as pessoas que tenho conhecido por conta dessa ‘nova rotina’”. Foto: Arquivo Pessoal

“Tenho me sentido bem e feliz. Confesso que em alguns momentos olhares e julgamentos mais conservadores tentam me invadir. Porém, volto pra dentro de mim e para liberdade de escolhas a que me permito em minha vida e desencano”, declarou. As críticas mais comuns, contou a psicóloga, é que ela está querendo ser novamente adolescente.

“Talvez haja sim resquícios de uma adolescência e juventude não vividas com plenitude, considerando o contexto de valores sociais e morais desses períodos em minha linha do tempo. Porém, me sinto tão bem, física e emocionalmente, que minhas decisões partem de uma mulher que só quer fazer o que gosta, o que acha necessário para si e para o seu bem estar, que quer viver no sentido existencial dos verbos.”

A consultora de beleza Bruna Golegã, de 36 anos, também tem enfrentado a crítica de outras pessoas em nome de viver sua liberdade. “Sair todo final de semana, todos os dias possíveis. ‘Virar a noite’ com amigos/as na praia, na balada, em casa, ver nasceres do sol incríveis, viajar com “turma”, seguir banda, ser amiga de músicos “da noite”. E são sempre as mesmas falas: ‘onde já se viu mãe, mais de 30 sair todo final de semana e as vezes dias de semana?’”, relatou.

Bruna se separou há quase um ano. “Antes de casar passei muito tempo namorando, alguns foram abusivos inclusive, então essa fase de sair, ter amigos, viajar, ficou um pouco de lado na época. Quando me vi ‘livre’, apesar do último relacionamento não ter sido de abuso, quis sair, ver gente, conhecer gente e lugares diferentes, voltar a fazer coisas ‘pela primeira vez’”, explicou. “No geral me sinto muito bem, estou feliz com as decisões que tenho tomado, com as pessoas que tenho conhecido por conta dessa ‘nova rotina’, mas às vezes bate uns pensamentos de ‘tu não é mais adolescente para fazer essas coisas’”, afirmou.

Julgamentos

A consultora destacou, ainda, que é difícil ser mulher. “É ser julgada de todas as formas e por todas as atitudes que tomamos, principalmente quando já somos mães. Acho que ser mulher sempre foi desafiador, mas estamos numa geração de transição e meio que estamos ‘nos achando’ nessa nova configuração”, concluiu.

A fotógrafa Déborah Gérbera, de 43 anos, fez a primeira tatuagem aos 40. Hoje já tem quatro e quer fazer mais. “Saio para dançar sempre que possível, vou a bares mesmo sozinha, uso as roupas que gosto. Descrevendo parece tudo simples, mas a recriminação existe, minha independência, me divertir a noite sozinha, julgam minhas roupas inadequadas pra minha idade, nem é nada demais, saia, blusinha, maquiagem simples”, afirmou.

“Retomei o que gosto de fazer, de ser, depois de muito tempo dentro de um casamento abusivo, agora estou me recuperando”, enfatizou. Deborah contou que não recebe muito apoio, que todos se assustam pelo fato de sair sozinha, ir dançar, ir a bares, beber, andar a noite. “Mas me sinto incrivelmente bem, feliz, viva, mulher! Estudo, trabalho, me divirto, me relaciono, uso o poder de ir e vir”, destacou.

“Ser mulher hoje é viver uma liberdade que até então era bem difícil. Podemos ser livres, podemos nos desfazer de relações abusivas, agressivas, podemos ser donas de nós mesmas, ainda com preconceitos e dificuldades como alugar a casa sem marido, dificuldade num novo relacionamento por ter filho, sim, ainda existe isso, mas a liberdade que se abriu só aumenta, independência, um enorme universo pra usufruir”, pontuou.

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