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Não há medida para compensar recuos no texto da reforma, afirma Meirelles

Meirelles disse que mudanças estão dentro de uma "margem razoável de se esperar numa negociação". Foto: ArquivoDepois de o presidente Michel Temer (PMDB) ter concordado com alterações em cinco pontos da reforma da Previdência, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou ontem (7) que o governo não trabalha com medidas para compensar as mudanças no texto.

“Não temos nenhuma previsão neste momento de medidas ou propostas compensatórias”, afirmou Meirelles, após ser questionado sobre a possibilidade de o governo acabar com o abono salarial.

Ao divulgar a revisão da meta para 2018 para um déficit de R$ 129 bilhões, o governo informou que o rombo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deve ficar em R$ 202,2 bilhões no ano que vem. As projeções não incluem a possibilidade de aprovação da reforma da Previdência. No ano passado, o déficit foi de R$ 149,7 bilhões.

Meirelles – que vinha dizendo que eventuais alterações no texto deveriam ser compensadas em outras áreas – disse que as mudanças anunciadas estão dentro de uma “margem razoável de se esperar numa negociação”.

“Não é questão de colocar gordura, é de ter uma margem. Se houver alguma mudança, está dentro de uma margem de expectativa que possa levar ao cumprimento dos objetivos e das metas”, afirmou Meirelles.

Depois de o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, ter dito nesta quinta-feira (6) que o governo deixaria de economizar cerca de R$ 115 bilhões com as mudanças que serão feitas pelo relator na proposta do governo, Meirelles evitou cravar um número e disse que os cálculos são ainda imprecisos.

“Estamos trabalhando com estimativa altamente imprecisa. Estamos mencionando meramente para dar parâmetros. Para dizer: não é 50%, são mudanças na margem”, afirmou o ministro.

Meirelles disse que, em dez anos, a expetativa de economia com a reforma da Previdência estava entre R$ 750 bilhões e R$ 800 bilhões. “Agora, o número pode ser cerca de 15% menor ou um pouco mais, cerca de 20%”, disse. Em cinco anos, segundo o ministro, a redução pode ficar entre 4% e 8%.

Quando o texto da reforma da Previdência foi divulgado, no entanto, o governo informou que o valor projetado para a economia com a reforma era de R$ 678 bilhões.

A divulgação de uma projeção pouco precisa pela Casa Civil incomodou o Ministério da Fazenda, que prefere esperar o detalhamento das alterações no texto do governo para anunciar uma expectativa de economia.

Idade mínima

Meirelles afirmou que não há, “no momento”, previsão de alteração na idade mínima para a aposentadoria de mulheres ou de homens.

A Folha de S.Paulo mostrou que o presidente Michel Temer guarda como cartada final para aprovação do texto no plenário da Câmara a redução na idade mínima de mulheres, que pode ficar em 62 ou 63 anos, ao invés dos 65 anos propostos originalmente.

A estratégia, segundo aliados de Temer, é aprovar a reforma na comissão especial com idade única de 65 anos. Se o governo perceber que pode sair derrotado na votação em plenário, aceitará beneficiar as mulheres.

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