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Na quarentena, mortes pela polícia têm nova alta

Na quarentena, mortes pela polícia têm nova alta
Pressionando pela escalada de relatos de violência, Doria anunciou semana passada que submeterá a cúpula da PM a novo treino a partir deste mês.Foto: Arquivo/Governo do Estado

Com mais de dois casos por dia, o número de mortos em ações da Polícia Militar subiu mais uma vez em maio, durante a quarentena contra o coronavírus em São Paulo. Na contramão de todos os indicadores de produtividade policial, em queda no período, os aumentos consecutivos da letalidade têm preocupado a gestão João Doria (PSDB) e motivado críticas até de entidades de classe.

Segundos dados do governo, houve 71 mortes decorrentes de intervenção policial no mês, 6% a mais do que no mesmo período de 2019. Essa classificação deve ser usada para casos com pressuposto de legitimidade na ação policial – em um tiroteio com ladrões, por exemplo.

Também foram registrados mais oito homicídios dolosos (com intenção de matar) por PMs – esses considerados crimes. Os dados são a soma de ocorrências com agentes em serviço ou de folga, e foram publicados ontem no Diário Oficial do Estado. O total de PMs mortos em confrontos também aumentou. Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), seis agentes foram assassinados em maio – dois em serviço. Em 2019, haviam sido três.

Em abril, a letalidade da PM de São Paulo já havia atingido patamar recorde para os primeiros quatro meses do ano. Análise de boletins de ocorrências mostra que a maior parte dos casos de janeiro a maio foi na capital, com prevalência em bairros mais pobres. A alta ocorre em contexto de queda de crimes patrimoniais, geralmente usados pelos governos para justificar o aumento na letalidade. Para a gestão Doria, agora os casos estariam subindo porque, com ruas mais vazias, as viaturas levariam menos tempo para atender ocorrências, elevando assim o risco de confronto. Questionada, a SSP não diz o quanto esse tempo de resposta caiu.

E os indicadores de produtividade policial caíram no período. Embora mais suspeitos tenham morrido, a polícia prendeu menos (-38%), recuperou menos veículos (-50,7%) e tirou menos armas ilegais das ruas (-0,5%) em maio. Em paralelo, denúncias de violência policial têm sido frequentes. Um dos episódios recentes foi o de um jovem que desmaiou após ser estrangulado em Carapicuíba, Grande São Paulo. Os agentes foram afastados das ruas.

Resposta

Pressionando pela escalada de relatos de violência, Doria anunciou semana passada que submeterá a cúpula da PM a novo treino a partir deste mês. “É para evitar 1% de maus policiais, que insistem em usar violência desnecessária.” O Estado diz já ter expulsado 220 policiais envolvidos em crimes ou falhas graves desde 2019. Em nota ontem, a SSP diz que “o compromisso das forças de segurança é com a vida” e os casos de letalidade são sempre alvo de investigação. “Não há complacência com o erro ” Segundo a pasta, policiais são posicionados em áreas com mais delitos, a partir da análise da mancha criminal em São Paulo. Sobre produtividade, diz que “o trabalho integrado das polícias” elevou o total de drogas apreendidas em maio e ao longo do ano.

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