Mauá, Minha Cidade, Sua região

MP vai apurar indícios de irregularidades em hospital de campanha de Mauá; prefeitura nega

MP vai apurar indícios de irregularidades em hospital de campanha de Mauá; prefeitura nega
Prefeitura de Mauá informou em nota que há equívoco no comparativo feito com o hospital erguido em Santo André. Foto: Divulgação/PMM

O promotor José Luiz Saikali instaurou na última sexta-feira (24) inquérito civil com o objetivo de apurar irregularidades e indícios de superfaturamento na contratação emergencial de empresas para implementação e administração do hospital de campanha de Mauá. A prefeitura nega existência de irregularidades.

O inquérito civil tem origem em representação assinada pelos vereadores Adelto Cachorrão (Republicanos), Marcelo Oliveira (PT), Professor Betinho e Sinvaldo Carteiro (ambos do PSL), que integram a oposição ao prefeito Atila Jacomussi (PSL) na Câmara.

Segundo a promotoria, a empresa Pilar Organizações e Festas foi contratada para a instalação de 30 leitos hospitalares para pacientes com covid-19, pelo valor mensal de R$ 221.900. O valor corresponde ao custo de R$ 7.396,67 por leito. Porém, no município vizinho de Santo André foram gastos R$ 157.500,00 em estrutura para 120 leitos, ou R$ 1.312,50 por leito.  A diferença é de 463%.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Mauá informou em nota que há equívoco no comparativo feito com o hospital erguido pela Prefeitura de Santo André, que teria fatiado a estrutura em vários contratos além do citado.

O Paço informa também que a estrutura do hospital de campanha, denominado Centro Especializado de Combate ao Coronavírus (Cecco), inclui instalação elétrica, de gás e hidráulica, além de 49 equipamentos de ar-condicionado e contêiner auxiliar, leitos individuais, farmácia e laboratório próprio para teste de covid-19. Destaca, por exemplo, que o hospital da cidade vizinha é equipado com circuladores de ar, e não aparelhos de ar-condicionado.

A portaria de instauração do inquérito aponta ainda a contratação da Atlantic Transparência e Apoio à Saúde para administração do hospital de campanha de Mauá, pelo valor de R$ 1.079.900. A empresa tem sede no mesmo endereço (em Caieiras, na região metropolitana de São Paulo), de outra companhia, a Ocean Serviços Médicos, o que gera suspeitas de que a administração da Atlantic seja feita por Gilberto Alves Ponte Belo, condenado por improbidade administrativa.

A Fundação do ABC, que presta serviços públicos de Saúde na cidade e que criou a Comissão de Gerenciamento de Riscos para Medidas de Combate e Enfrentamento à Covid-19, esclareceu à promotoria que não teve acesso ao projeto do município sobre a criação do hospital de campanha e desconhece detalhes sobre números e tipos de leitos, por exemplo.

A prefeitura alega que a contratação da Organização de Saúde foi formalizada após pesquisa de mercado, pelo menor preço, e contempla a participação de um dos maiores médicos infectologistas do país, Jamal Suleiman, do Instituto Emílio Ribas, além de médicos do Hospital São Luiz. Informa ainda que pesquisou todas as organizações que enviaram propostas para analisar eventuais sanções.

Print Friendly, PDF & Email

Deixe eu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*