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MP apura ‘rachadinha’ em gabinete do Coronel Nishikawa, que nega acusações

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito para investigar suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo o deputado esta­dual Coronel Nishikawa (PSL). O parlamentar de primeiro mandato, é suspeito de arrecadar parte do salário de assessores do seu gabinete na Assembleia Legislativa (Alesp), prática conhecida como “pedágio” ou “rachadinha”. O deputado divulgou vídeo (disponível no site ) nesta segunda-feira (5), no qual rebate as acusações e diz que poderá sair candidato a prefeito de São Bernardo, onde reside. “Vou provar minha inocência na Justiça.”

A abertura do procedimento investigatório, que também inclui dois assessores de Nishikawa, foi autorizada no dia 11 de julho pelo desembargador Augusto Francisco Mota Ferraz de Arruda, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a pedido do procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio. O inquérito está sob sigilo.

Na representação encami­nhada à Justiça, o MP informa que recebeu denúncia mencionando que o deputado do PSL e os assessores Walter Resende Filho e David Monteiro de Mello estariam desviando dinheiro por meio da nomeação de servidores e apropriação de parte de seus respectivos salários no gabinete do parlamentar, onde estão lotados atualmente 18 assessores.

Resende é presidente do PSL em São Bernardo. No ano passado, trabalhou como motorista na campanha do deputado, que teve 23.094 votos – a votação mais baixa entre os 94 parlamentares – e assumiu uma cadeira na Alesp graças à votação recorde da deputada Janaína Paschoal (PSL), que ajudou o partido do presidente Jair Bolsonaro a ter a maior bancada da Assembleia, com 15 nomes.

Segundo registros oficiais da Alesp, Resende recebe salário bruto mensal de R$ 17,9 mil como assessor especial, enquanto que Mello ganha R$ 6,5 mil por mês como auxiliar parlamentar. Coronel da Polícia Militar aposentado, Nishikawa recebe R$ 25,3 mil como deputado. Nas eleições de 2018, declarou patrimônio de apenas R$ 28,3 mil, incluindo uma casa e um jazigo em São Bernardo.

QUEIROZ

As suspeitas envolvendo o gabinete de Nishikawa são semelhantes às investigadas pelo Ministério Público do Rio no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia fluminense (Alerj). A investigação foi deflagrada depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas bancárias de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj.

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