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Mortes por covid-19 tiram R$ 5 bilhões das famílias

Mortes por covid-19 tiram R$ 5 bilhões das famílias
São Paulo e Rio concentram juntos mais de 40% das vítimas fatais da pandemia. Foto: Alexandre-Brum/Estadão Conteúdo

A pandemia do novo coronavírus gerou perdas irreparáveis às milhares de famílias brasileiras que se despediram de entes queridos vítimas da doença. O prejuízo afetivo é inestimável, mas há ainda importante consequência financeira, já que muitas vítimas eram trabalhadores ou aposentados responsáveis pelo sustento familiar.

As mortes por covid-19 de brasileiros a partir de 20 anos enxugaram em R$ 5,1 bilhões a massa de rendimentos potencial das famílias atingidas no período de um ano. A perda é de R$ 2,2 bilhões na renda nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, revela estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), obtido com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo.

“Isso vai acabar lançando mais gente na pobreza”, lamentou Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV, responsável pelo levantamento.

Os dois Estados concentram juntos mais de 40% das vítimas fatais da pandemia. O cálculo considera perda de cerca de R$ 1,1 bilhão em rendimentos do trabalho das vítimas na faixa etária de 20 a 69 anos, e mais R$ 1,1 bilhão em aposentadorias dos mortos com idade a partir de 70 anos.

“Morreram muitos idosos. A gente sabe que, em muitas famílias, a renda do idoso é a única disponível. Se não era a única, era a maior parte da renda familiar, porque nenhuma aposentadoria é menor do que o salário mínimo. Essa pessoa podia estar ativa no mercado de trabalho. Muita gente em idade ativa morreu. É menos gente para produzir, para gerar renda e riqueza. Essas famílias sentirão impacto no consumo”, avaliou Maria Andreia Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O estudo do Ibre/FGV considerou a morte de 205,1 mil brasileiros vítimas da covid-19 entre 16 de março de 2020 e 15 de janeiro de 2021, sendo 14,7% dos óbitos ocorridos no Estado do Rio (30,2 mil) e 26,4% deles no Estado de São Paulo (54,1 mil).

A massa de rendimentos mensais totais das 91,3 mil pessoas falecidas no Brasil com idades entre 20 e 69 anos foi de R$ 204,0 milhões. No ano, a soma corresponde a R$ 2,4 bilhões.

No Rio de Janeiro, a massa de renda das vítimas fatais entre 20 e 69 anos era de R$ 28,3 milhões mensais, ou seja, R$ 339,4 milhões em um ano. Em São Paulo, a massa de renda das vítimas nessa faixa etária era de R$ 62,9 milhões mensais, ou R$ 755,1 milhões em um ano.

Na faixa etária de 20 a 69 anos, 45% da renda perdida decorrem da morte de fluminenses e paulistas, resumiu Considera.

“As pessoas que estão morrendo deixam um buraco no seu emprego. Podem ser substituídas, mas por pessoas que não terão o mesmo nível de conhecimento e treinamento. Como há muita gente bem formada desempregada, no primeiro momento você consegue substituir, mas depois farão falta. Reduz o número de pessoas treinadas e atrapalha a produtividade quando aumentar o nível de emprego”, disse Claudio Considera.

“Mesmo que a economia volte a crescer, essa renda não volta mais, essas pessoas não estão mais aqui. Isso afeta a oferta de mão de obra mais adiante. São vários efeitos secundários, de queda na renda. Não é coisa pequena, são 200 mil mortos. É muita gente tanto pelo ponto de vista individual quanto pelo coletivo”, ressaltou Maria Andreia Lameiras, do Ipea.

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