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Morte de embaixador grego é “novela macabra”, diz imprensa internacional

diretor da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barboda, e o delegado de homicídios da Baixada Fluminense, Evaristo Magalhães, falam sobre o assassinato do embaixador grego. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A informação de que o embaixador da Grécia no Brasil, Kyriakos Amiridis, teria sido morto em um crime planejado por sua mulher, teve grande repercussão na imprensa internacional. Vários jornais relataram detalhes do assassinato, cometido na Baixada Fluminense por um policial militar, amante da esposa do diplomata.

O assunto ganhou destaque na rede de televisão norte-americana CNN, que reproduz informações da Agência Brasil. O canal conta que o policial Sérgio Gomes Moreira alegou ter matado o embaixador em legítima defesa, antes de ter pedido para seu primo, Eduardo Moreira de Melo, ajudá-lo a esconder o corpo do diplomata.

O jornal francês Le Figaro fala de um “cenário macabro”, e diz que o crime foi planejado por Françoise Oliveira, mulher do embaixador. O assassinato também chamou a atenção do canal de televisão francês France 24, que transmitiu várias vezes uma reportagem sobre o assunto durante a tarde de sábado (31).

Com a manchete “novela macabra da morte do embaixador grego no Brasil”, o jornal espanhol El País também deu bastante destaque para o episódio. O diário relata que um cúmplice (Moreira de Melo) confessou que Françoise ofereceu 23 mil euros (R$ 80 mil)  para que ele assassinasse Amiridis.

O jornal norte-americano The New York Times conta o caso em detalhes e afirma que o assassinato do embaixador grego foi chocante “mesmo para os padrões de uma cidade acostumada com crimes”. Para o diário, o episódio representa um final de ano horrível para um país que já sofre com uma crise financeira e escândalos políticos.

Amiridis estava de férias com a família no Rio e deveria voltar a Brasília em 9 de janeiro, mas na quarta-feira (28) Françoise denunciou que não tinha notícias do marido desde a noite de segunda-feira (26), quando ele teria saído do apartamento que mantinham em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Na quinta-feira (29), um carro carbonizado com seu corpo dentro foi encontrado debaixo de um viaduto da região. O veículo foi identificado como o alugado pelo embaixador.

Presa

Suspeita de planejar o assassinato de Amiridis,  Françoise  nega ter participado do crime. Ela está presa temporariamente no Complexo Penitenciário de Bangu, zona oeste do Rio.

Em depoimento à polícia, ela disse que tinha relação extraconjugal com o soldado da Polícia Militar Sérgio Gomes Moreira Filho, 29, e que foi ele o autor do crime. A motivação, disse, teria sido ciúmes.

Segundo a polícia, Françoise disse que não poderia ter evitado a morte e que estava fora de casa quando tudo aconteceu. Segundo as investigações, o embaixador foi morto na própria casa e, em sequência, seu corpo foi retirado do local pelo policial militar e levado no próprio carro alugado pelo embaixador a um local onde foi queimado junto com o veículo.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Evaristo Pontes, o soldado da PM confessou à polícia ter matado o diplomata. Em depoimento, negou que o ato tivesse sido premeditado e disse que foi resultado de uma luta corporal entre os dois. Sérgio está preso temporariamente na unidade prisional da PM, em Niterói.

O delegado responsável, pelo caso, no entanto, afirma ter provas do envolvimento dela, mas não divulgou quais seriam. Parte da suspeita tem base no depoimento do primo do soldado, Eduardo Moreira, 24, também preso temporariamente. A polícia o acusa de ter sido cúmplice do crime ao ajudar o primo PM a se desfazer do corpo do embaixador.

Em seu relato, Eduardo afirmou que Françoise havia oferecido R$ 80 mil para que ele participasse do assassinato. A polícia trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido planejado para que a viúva herdasse seus bens.

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