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Morro dos Macacos passa por nova reintegração de posse

Segundo a Prefeitura da Capital, o terreno, que é particular, está ocupado hoje por aproximadamente 1.200. Foto: Angelica Richter especial para o DR

Atualizado às 0h30

O Morro dos Macacos, na divisa de Diadema e São Paulo, passou por nova reintegração de posse nesta sexta-feira (7). Segundo os moradores, a desocupação aconteceria no dia 11 (próxima terça-feira), mas nesta quinta-feira a água e a luz foram desligadas. Em 2010, a Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo removeu 950 famílias da área e, segundo a Prefeitura da Capital, o terreno, que é particular, está ocupado hoje por aproximadamente 1.200. Ainda conforme a prefeitura, a remoção ocorre por conta do risco que os moradores correm.

“Passamos a noite acordados com medo. Estão esva­ziando da Rua 4 para cima, mas parece que até o dia 31 vão tirar a gente daqui. O pior são as crianças. Tem mais crianças do que adultos. Estamos juntando todas em um barraco e tentando preparar comida para elas, que estão com medo”, afirmou Carmelita Maria.

Os moradores que tinham para aonde ir estavam retirando seus pertences, que foram amontoados no meio das vielas sobre o barro. Por todos os lados eram vistas mães com bebês no colo, crianças sentadas na fren­te dos barracos dos vi­zinhos, que tentavam ajudar quem já não tinha mais onde ficar.

Vanderlucia Maria de Souza e sua filha Pamela Gabriela de Souza afirmaram que foram avisadas da reintegração, mas não tinham para onde levar os pertences. “Falaram que minha casa não ia (ser desmontada), mas che­garam e colocaram minhas coisas no meio da rua. Disseram: ‘se a senhora tiver para aonde ir, a gente leva suas coisas’, mas não tenho. Se tivéssemos um lugar digno para morar, não estaríamos aqui. Estamos aqui porque necessitamos. Aqui tem trabalhador, gente honesta”, disse Vanderlucia. “Chegaram e tiraram tudo. Não quiseram saber se tinha alguma coisa de valor, se eram documentos. Foram jogando tudo”, complementou Pamela.

Os moradores afirmaram que a prefeitura ofereceu como opção um albergue. “Vamos morar embaixo da ponte? Tem criança aqui de um mês. Para os outros podem ser só barracos, mas para a gente é a chance de crescer. Como vou com uma criança para o albergue?”, questionou Mayara Oliveira Couto, que segurava o filho de 2 anos no colo.

ÁREA DE RISCO

Segundo a Defesa Civil do Município de São Paulo, o Morro dos Macacos possui três setores de risco: Risco Alto (R3), pois fica próximo às margens do córrego; Risco Muito Alto (R4), localizado na encosta por conta do retaludamento – processo de terraplanagem por meio do qual se alteram os taludes originalmente existentes; e ainda um setor de Risco Médio (R2), que compreende os trechos mais planos da área. A última atualização no local foi realizada recentemente, em novembro de 2018.

A prefeitura informou, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), “que 14 profissionais da Supervisão de Assistência Social (SAS) Cidade Ademar estiveram em espaço cedido pela Associação Lar Maria & Sininha no Morro do Macaco para atendimento das famílias moradoras da região. Foram atendidas 62 famílias (perfazendo um total de 72 crianças, 21 adolescentes, 92 adultos, três idosos, duas gestantes e uma pessoa com deficiência intelectual) no local. Dessas famílias, três solicitaram passagens para retornar ao local de origem e cinco apresentaram interesse em acolhimento após a reintegração. Até quinta-feira, porém, ne­nhuma solicitou os serviços da Assistência Social”.

Segundo a administração municipal, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Pedreira, referência na região, encontra-se à disposição das famílias para aco­lhimento nos equipamentos da rede socioassistencial e em outros serviços da Prefeitura de São Paulo. O endereço é Estrada Alvarenga, 3.657. Telefones: 5673-2425 / 2516.

A Prefeitura de Diadema informou, por meio de nota, que a área pertence ao município de São Paulo, mas que a Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Diadema está acompanhando o processo de ação judicial de reintegração  e monitorando as áreas de divisa com o município. “Como se trata de área do município de São Paulo a Prefeitura de Diadema não tem o poder de intervenção”, afirmou.

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