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Morre o ator Rutger Hauer, eternizado como replicante em ‘Blade Runner’, de 1982

No imaginário dos cinéfilos, Rutger Hauer  será sempre o replicante de “Blade Runner – O Caçador de Androides”, e seu desaparecimento na ficção científica de Ridley Scott, de 1982, também será para sempre um daqueles momentos que o fã de cinema carrega pela vida Podendo matar o caçador de androides interpretado por Harrison Ford, Rutger Hauer deixa-o viver. O voo da pomba representa esse instante fugidio. Nesta quarta (24), a morte deixou de ser uma ficção para o ator holandês de 75 anos. Rutger Oelsen Hauer morreu em sua casa, na Holanda, após uma breve enfermidade cuja natureza a família não divulgou.

Embora deva muito de seu mito ao replicante de Blade Runner, Hauer teve uma carreira muito mais extensa e bri­lhante. Nascido em Breukelen, nos Países Baixos, ingressou ain­da adolescente em uma trupe de teatro, na qual permaneceu por cinco anos, até entrar, em 1969, para uma série que ficou muito popular no país, “Floris”.

Ao vê-lo no vídeo, o diretor Paul Verhoeven chamou-o para um papel em “Turkish Delight”, de 1973. Começou aí uma parceria que prosseguiu com ou­tros trabalhos importantes, como “O Amante de Kathy Tippel”, “Soldado de Laranja” e “Spetters”. Verhoeven, o autor de “Elle”, com Isabelle Huppert, sempre foi um transgressor e, com ele, Hauer interpretou ousadas cenas de sexo, incluindo homoerotismo.

Em Hollywood, Hauer fez filmes como “O Feitiço de Áquila”, de Richard Donner, com Michelle Pfeiffer; “Conquista Sangrenta”, o épico medieval de Verhoeven; e “A Morte Pede Carona”, thriller de estrada de Robert Harmon, no qual fazia psicopata que assombrava o pobre C. Thomas Howell, que o acolhia em seu carro.

O primeiro, “Ladyhawke” (“O Feitiço de Áquila”), filmado na Itália em castelo que pertenceu à família de Luchino Visconti, possuía um charme todo particular. Graças ao feitiço do título, lançado pelo bispo de Áquila, Hauer e Michelle faziam amantes que só conseguiam se ver por breves segundos, ao amanhecer. De dia, ela virava uma águia -; de noite, ele era lobo. Após uma série de sucessos, Hauer resolveu mudar o tom e foi à Itália para fazer uma obra-prima de Ermano Olmi.

Premiado no Festival de Veneza, “A Lenda do Santo Beberrão”, de 1989, é um filme tão intimista e espiritualizado que revelou ao mundo uma nova dimensão do talento do ator. Mesmo diminuindo um pouco o ritmo, não parou. Nos anos 2000, foi o dono da empresa Wayne Corp., em “Batman Begins”, de Christopher Nolan; e o corrupto Cardinal Roark, que detinha o poder de Basin City no filme-gibi de Robert Rodriguez e Frank Miller, “Sin City – A Cidade do Pecado”. Hauerteve uma fase mais recente como ator de terror, fazendo o Van Helsing de “Drácula 3D”, e o vampiro Barlow da minissérie “A Mansão Marsten”. (AE)

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