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Moro: ‘há quadro de corrupção sistêmica no país’

“Nossos processos não podem ser um faz de conta”, afirmou Sergio Moro. Foto: Gabriel Jabur/ Agência Brasília

Em palestra a juízes e servidores da Justiça do Paraná, o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, voltou a afirmar ontem (20) que há um quadro de “corrupção sistêmica” no Brasil, e defendeu, nesses casos, a “aplicação vigorosa da lei”. “Nossos processos não podem ser um faz de conta”, afirmou o magistrado.

No dia seguinte à ação contra o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Moro voltou a defender as prisões preventivas da Lava Jato, criticadas por parte do meio jurídico como uma forma de pressionar acusados a fecharem acordos de delação.

A palestra estava agendada havia mais de um mês e seu tema, proposto pelo próprio Moro, foi “Corrupção sistêmica e Justiça criminal”.

O juiz afirmou que as prisões são necessárias especialmente em casos de prática “serial, profissional e reiterada” de crimes contra a administração pública -exatamente as expressões utilizadas para justificar a prisão de Cunha, nesta quarta-feira (19). “Quando a regra do jogo é a corrupção, não admitir o risco de reiteração criminosa me parece incorreto”, afirmou o juiz.

O magistrado ainda disse que o Brasil está “numa encruzilhada” no combate à corrupção e pediu que os juízes presentes tivessem consciência de seu papel neste momento. “Que tenhamos sensibilidade para as necessidades do contexto. E isso significa, a meu ver, uma aplicação rigorosa da lei em relação à corrupção sistêmica.”

Moro ainda criticou o “generoso sistema de recursos” do sistema judicial brasileiro, que fez com que “muitos casos relevantes se transformassem em pó”. Por isso, pediu uma atuação mais vigorosa dos juízes.

“Ninguém está propondo uma espécie de solução autoritária. Claro que tudo deve ser dentro do devido processo e respeitando os direitos fundamentais do acusado”, afirmou. “Porém, é preciso ter vontade para que os processos cheguem a um bom termo, porque a Justiça, às vezes, é um labirinto.”

Moro fez a palestra a convite do presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Paulo Roberto Vasconcelos.O desembargador elogiou Moro e disse que os servidores do tribunal estão “emocionados com suas atitudes” nos últimos anos.

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