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Moro discute com petista no Senado e critica projeto

Diante de uma plateia de senadores investigados pela Lava Jato, o juiz Sergio Moro afirmou ontem (1º) que a aprovação do projeto de abuso de autoridade pelo Senado poderia ser interpretada como tentativa de “tolher investigações e persecuções penais” e que esse não é o momento de o Congresso votar a medida.

Segundo Moro, a deliberação sobre a proposta em meio a diversas operações, inclusive a Lava Jato, poderia “passar a imagem errada à sociedade”.

Com discurso muito formal, o juiz que comanda os trabalhos da investigação em Curitiba sugeriu que os congressistas incluam no projeto um artigo para que “não configure crime divergência na interpretação da lei” e, dessa forma, impeçam que juízes, procuradores e policiais sejam punidos “injustamente”.

Moro questionou a aprovação do pacote anticorrupção pela Câmara na madrugada de quarta (30). “Essas emendas da meia-noite, que não permitem debate da sociedade, não são apropriadas em temas tão sensíveis”, disse o juiz. Nesse pacote, deputados acrescentaram uma emenda que abre possibilidade de juízes e integrantes do Ministério Público responderem por crime de abuso de autoridade com base em várias condutas

O momento mais tenso, porém, foi protagonizado por Moro e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que teve sua investigação na Lava Jato arquivada. Na tribuna, o petista citou a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março, e a divulgação de gravações telefônicas entre Lula e a ex-presidente Dilma como exemplos de abusos.

Após intervenção do senador, Moro disse: “é claro que se está afirmando que eu cometi abuso de autoridade e devo ser punido”. “Sei que Vossa Excelência é uma figura muito importante, mas não está acima da lei”, replicou Lindbergh. Em sua tréplica, Moro afirmou que nunca teve a pretensão de estar acima da lei, mas sim de “cumprir a lei”.

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