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Moro depõe por oito horas e diz não ter ‘apego’ ao cargo

Moro depõe por oito horas e diz não ter ‘apego’ ao cargo
Moro: “se houve ali irregularidade da minha parte, eu saio”. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Acostumado a fazer as perguntas, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, teve nesta quarta-feira (19) seu “dia de réu”. Passou oito horas e meia respondendo aos questionamentos dos senadores na Comissão de Constituição e Justiça da Casa sobre supostas mensagens que sugerem atuação conjunta com os procuradores da Lava Jato quando ele era juiz federal. Pela primeira vez, disse não ter “nenhum apego ao cargo” e admitiu a possibilidade de deixar o governo caso seja constatada ilegalidade.

O ministro voltou a dizer que agiu de acordo com a lei e cobrou que o site The Intercept Brasil, que publicou a suposta troca de mensagens, divulgue de uma vez todo o conteúdo a que teve acesso “Então, o site apresente tudo, e aí a sociedade vai poder ver de pronto se houve alguma incorreção da minha parte. Não tenho nenhum apego pelo cargo em si. Apresente tudo, vamos submeter isso ao escrutínio público. Se houve ali irregularidade da minha parte, eu saio, mas não houve, porque sempre agi com base na lei”, disse.

Moro se dispôs a ir à audiência dois dias após a divulgação das mensagens, quando parlamentares falavam em criar até uma CPI para investigar o caso. Quarenta e três senadores se inscreveram para debater com o ex-juiz acusações de parcialidade na condução da Lava Jato. Os maiores ataques foram do PT, que teve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenado por Moro na ação do triplex do Guarujá (SP).

SENSACIONALISMO

Diante de um clima favorável na comissão, Moro disse que não poderia reco­nhecer a autenticidade das mensagens, mas tampouco negou que sejam verdadeiras. O ministro voltou a dizer que não há irregularidade nos conteúdos apresentados, mas “sensacionalismo”.

“Evidentemente, pode ter havido alguma troca de mensagens, mas nada que não tenha sido normal se fosse presencial. Não estou dizendo que reconheço autenticidade”, disse. Moro levantou a possibilidade de as mensagens terem sido alteradas antes de serem publicadas. Alegou, no entanto, não possuir mais o conteúdo das conversas.

O ministro reafirmou que a invasão foi realizada por um grupo criminoso organizado. Para Moro, o objetivo da ação seria invalidar condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, interromper investigações em andamento ou “simplesmente” atacar instituições.
Voltou a negar que tenha condicionado o convite para entrar no governo à indicação para o Supremo Tribunal Federal. “É uma fantasia”, declarou Moro.

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