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Moro deixa Lava Jato e a carreira de juiz para assumir superministério

Moro deixa Lava Jato e a carreira de juiz para assumir superministério
Sergio Moro participou, nesta quinta-feira, de reunião na casa de Jair Bolsonaro. Foto: Ian Cheibub/Folhapress

Principal voz da maior ope­ração de combate à corrupção da história brasileira, o juiz Sergio Moro decidiu nesta quinta (1º) desembarcar da Operação Lava Jato e aderir ao governo de Jair Bolsonaro (PSL). Moro aceitou o convite para chefiar o que está sendo chamado de um superministério da Justiça. Isso o obrigará a pedir exoneração de sua carreira na Justiça Federal do Paraná, o que afirmou ter feito “com certo pesar”. Anteriormente, repetiu mais de uma vez que jamais entraria para a política.

“A perspectiva de implementar forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior”, disse Moro em nota divulgada pouco depois da reu­nião na casa de Bolsonaro.

O Ministério da Justiça unificará a pasta da Segurança Pública – a quem a Polícia Federal está subordinada – e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), hoje ligado à Fazenda. Há também a possibilidade de somar a pasta da Transparência e Controladoria Geral da União, mas, segundo Bolsonaro, essa alteração ainda “carece de estudo”.

A primeira sondagem a Moro para assumir o ministério foi feita ainda durante a campanha eleitoral, por meio do economista Paulo Guedes, futuro ministro da Economia.
Se Guedes será a refe­rência indiscutível nos temas econômicos do novo governo, Moro centralizará as ações na outra grande bandeira de Bolsonaro: o combate ao crime.

AUTONOMIA

Em entrevista após o anúncio, Bolsonaro reforçou que o juiz terá total autonomia para compor sua equipe. “Ele vai indicar todos que virão a compor o primeiro escalão. Inclusive o chefe da Polícia Federal”, afirmou. O presidente eleito prometeu não fazer interferências no combate à corrupção. “Mesmo que viesse a mexer com alguém da minha família no futuro. Não importa. É liberdade total pra traba­lhar pelo Brasil.”

Em outro momento, Bolsonaro disse que a presença de Moro em seu go­verno mostra que não haverá tolerância com corrupção mesmo entre auxi­liares pró­ximos. “Vai pro pau, pô. Não tem essa história, não. Quem for porventura denunciado, vai responder”, pontuou.
De acordo com o presidente eleito, Moro disse a ele que Lava Jato não será esquecida com sua saída do caso. “Até porque bom juiz temos no país todo, em especial Curitiba. Ago­ra ele não será combatente da corrupção apenas no âmbito da Lava Jato, no âmbito de todo o Brasil”, afirmou.

A mulher de Moro, Rosângela, comemorou abertamente a vitória de Bolsonaro no último domingo (28). O presidente ironizou a crítica dos petistas: “Se eles estão reclamando, é porque fiz a coisa certa”, disse.

O presidente também dei­xou aberta a porta para Moro ser indicado ao Supremo Tribunal Federal assim que abrir uma vaga – a primeira deve ser com a aposentadoria do minis­tro Celso de Mello, em 2020.
“Não ficou combinado, mas o coração meu, lá na frente… ele tendo um bom sucessor, isso está aberto para ele”, disse.

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