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Moro condena Lula a 9 anos e meio de prisão

Atualizado às 20h

O juiz Sergio Moro, que conduz as investigações da Lava Jato, condenou ontem (12) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 9 anos e seis meses de prisão. A condenação foi a primeira na história de um ex-presidente e também é a primeira que atinge Lula nos processos da Lava Jato. O petista foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP) e poderá recorrer da prisão em liberdade.

Em sua decisão, Moro destacou que “o ex-presidente foi beneficiado materialmente por débitos da conta geral de propinas, com a atribuição a ele e a sua esposa, sem o pagamento do preço correspondente, de um apartamento triplex, e com a realização de custosas reformas no apartamento, às expensas do Grupo OAS”.
No despacho, o juiz explicou porque a prisão do petista não foi decretada. “Até caberia cogitar a decretação da prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação.”

Assim que a condenação ficou pública, a direção nacional do PT publicou uma nota em que afirma que a decisão é um ataque à democracia e à Constituição Federal. “Embora seja uma decisão de primeira instância, trata-se de medida equivocada, arbitrária e absolutamente ilegal, conduzida por um juiz parcial, que presta contas aos meios de comunicação e àqueles que não aceitam a trajetória de sucesso de Lula na presidência”, diz o texto.

Para lideranças petistas, a condenação de Lula é uma estratégia para tirá-lo da disputa presidencial de 2018, bem como abafar a repercussão da aprovação da reforma trabalhista, ocorrida na terça-feira (11). “Foi tudo orquestrado da maneira mais perversa possível”, acusou o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT). “Uma condenação sem provas, a continuidade de uma atitude que tenta impedir que o maior líder deste país volte a ser candidato e volte a ser eleito”, declarou.

O deputado estadual Teonílio Monteiro, o Barba (PT), afirmou que o juiz Moro representa a vontade de uma elite política, econômica e judiciária. “Uma decisão um dia após a aprovação da reforma trabalhista, no dia em que está sendo julgada a admissibilidade da denúncia por corrupção contra o presidente Michel Temer (PMDB), é uma perseguição política”, declarou. “O único objetivo é tirar o ex-presidente Lula da disputa eleitoral em 2018, já que leva vantagem sobre todos os oponentes.”

Fraude

Presidente estadual do PT e ex-prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho divulgou um vídeo nas redes sociais para manifestar sua indignação. “Não julga como juiz, porque se julgasse, inocentaria, porque não existem provas. Na verdade, o que querem é tirar o Lula das eleições presidenciais. Eleições presidenciais sem o Lula não é eleição, é fraude eleitoral”, pontuou. “A decisão não é surpresa, mas não pelo que está no processo. Sempre que há algum acontecimento novo na conjuntura política, tem alguma novidade do Moro na Lava Jato”, declarou Marinho à Folha de S.Paulo.

Em coletiva de imprensa, os advogados de defesa de Lula declararam que apesar de ainda não terem feito uma leitura aprofundada da sentença, fica claro que as provas apresentadas pela defesa foram ignoradas. “O apartamento jamais poderia ter sido dado ao Lula porque estava como garantia na Caixa Econômica Federal”, afirmou o advogado Cristiano Zanin Martins. “Demonstramos desde o início que o juiz não tinha imparcialidade para julgar o caso e esperamos que em instâncias superiores revertam essa decisão tomada sem provas”, finalizou.

A professora da Faculdade de Direito de São Bernardo, Celia Nilander, explicou que Lula poderá recorrer da condenação em liberdade e que não está inelegível. “O juiz ressalva que a todo momento a defesa afrontou a Justiça, mas que por prudência, por entender que poderia haver uma comoção, achou por bem não decretar a prisão”, destacou a professora. “A defesa vai recorrer e se houver uma nova condenação, aí sim pode ser que Lula seja preso”, completou.

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