Política-ABC, São Bernardo do Campo, Sua região

Morando cumpre compromisso e doa parte do salário

Morando e irmã Adriana Rubino: “a doação vai fazer a diferença na vida dessas crianças”. Foto: DivulgaçãoO prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), entregou ontem (14) o primeiro cheque – no valor de R$ 5.021,08 – referente à doação de parte de seu rendimento mensal, que a partir de agora será repassada mensalmente a entidades filantrópicas com atuação no município. Os valores retroativos (excedentes desde janeiro) também serão doados pelo chefe do Executivo.

A primeira transferência beneficiou o Centro Comunitário Nossa Senhora do Guadalupe, no Jardim Laura, que atende 150 crianças e adolescentes entre 6 e 16 anos, durante período de contraturno escolar. O ato contou com presença de crianças assistidas pelo projeto, além de autoridades e vereadores.

“Escolhi essa entidade pelo carinho que tenho pelas pessoas envolvidas e pelo trabalho desenvolvido. Não quero dar parte do meu salário, que é pago pelo povo de São Bernardo, para uma entidade que não conheço. Aqui, tenho certeza que o dinheiro será aplicado em prol da causa social”, destacou Orlando Morando, após entrega do cheque.

A medida corrige ato promovido pelo antigo prefeito, Luiz Marinho, que contrariando a opinião pública, elevou seu próprio salário em 20%, tornando-o um dos mais altos para cargos públicos do país. À época, o rendimento do chefe do Executivo foi acrescido em R$ 5.021,08, passando de R$ 25.604,69 para R$ 30.627,77.

A decisão de destinar parte do salário para instituições e entidades da cidade ocorreu após impedimento da tentativa de Morando de anular a majoração, efetivada em 2016, pelo ex-prefeito, na Câmara. O pedido de revisão do aumento no vencimento foi rejeitado após o Judiciá­rio considerar que a proposta fere Emenda Constitucional 41/2003, que determina que o subsídio mensal do prefeito seja o maior dos salários entre os funcionários públicos.

Com a negativa, Morando pediu auxílio para a Procuradoria-Geral do Município (PGM), uma vez que seu objetivo era devolver o valor para os cofres públicos. Entretanto, a medida voltou a ser reprovada.

Austeridade

“Iniciamos nesta gestão processo de profunda austeridade com o dinheiro público, até por conta do momento econômico que o país atravessa. Quando o ex-prefeito aumentou seu próprio salário, critiquei, porque considerei uma atitude lamentável. Na vida, a gente não pode perder a coerência. Agora que me tornei prefeito não podia ficar quieto e, por isso, iniciamos um procedimento para mudar esse valor”, completou.

De acordo com a responsável pela instituição, irmã Adriana Rubino, a doação será aplicada em ações socioeducativas e culturais à criança, ao adolescente e comunidade do entorno da instituição. “Nossa área de atuação é bastante carente e se não houver um ponto de referência, pode se tornar um problema sério para os jovens. Fiquei muito contente com essa doação, que vai fazer a diferença na vida dessas crianças”, afirmou a irmã.

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