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Montadoras apostam no Salão do Automóvel para terminar ano com retomada nas vendas

Embora os números da indústria automotiva divulgados ontem (7) não demonstrem recuperação robusta do setor, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Au­to­motores (Anfavea) man­­tém o discurso otimista ado­­tado desde o impeachment de Dilma Rousseff.

“Acredito que teremos dois meses fortes de produção até o fim deste ano”, afirmou Antonio Megale, presidente da Anfavea.

“O Salão do Automóvel (que será aberto ao público na quinta-feira) representará a virada que precisamos, com o mercado voltando a crescer”, prosseguiu Megale. A entidade prevê que haverá crescimento “de um dígito parrudo”, acima de 5%, em 2017.

Contudo, as bases de comparação serão baixas. De acordo com a Anfavea, as vendas de veículos acumulam queda de 22,3% entre janeiro e outubro deste ano na comparação com igual período de 2015. Os dados incluem carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões.

“Tivemos 159 mil licenciamentos em outubro, praticamente o mesmo que em setembro, com estabilidade nos emplacamentos diários (cerca de 8 mil carros/dia)”, destacou Megale.

O estoque de 209 mil unidades nos pátios das montadoras e concessionárias, su­ficiente para atender a 40 dias de vendas, é considerado equilibrado pela entidade.

O crédito continua a ser um problema. Os financiamentos foram baixos, representando 51,7% das vendas de veículos. Setores ligados à produção de caminhões e maquinário agrícola também querem mudanças na distribuição das linhas de financiamento.

A produção total teve pequena melhora entre setembro e outubro, com alta de 2,3%. No acumulado do ano, porém, há queda de 17,7%.

Ao analisar apenas a produção de carros de passeio, o aumento na passagem de setembro para outubro chegou a 6%, o que reflete a retomada da produção nas unidades fabris da Volkswagen, que enfrentou problemas com fornecedores neste ano.

A Anfavea prevê que as exportações também devem ter alta em 2017, movida por acordos pontuais com países da América Latina. O próximo será o Peru, segundo o presidente da entidade.

Política industrial

A boa vontade que a entidade demonstra em relação ao governo faz parte de estratégia que busca obter medidas mais previsíveis, que poderão vir com as esperadas mudanças na política industrial.


As exportações acumulam alta de 19,7% até outubro, em unidades. Em valores, há queda de 1,9%.

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