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Mobi Trekking: para pequenas aventuras cotidianas

Mobi Trekking: para pequenas aventuras cotidianas
Mobi é produzido em Betim e alcançou recentemente a marca de 400 mil unidades fabricadas desde
o lançamento, em 2016. Foto: Luiza Kreitlon/AutoMotrix

LUIZ HUMBERTO MONTEIRO PEREIRA
AutoMotrix

As versões com estética off-road de modelos urbanos são uma estratégia usada nas últimas décadas por praticamente todas as montadoras ins­taladas no Brasil – e não param de ganhar força. Essas configurações contemplam o que os profissio­nais de marke­ting chamam de “aspecto aspiracional”. Mesmo quem compra veículos para uso na cidade gos­ta de imaginar que seu veículo pos­sa encarar trilhas radicais.
Não por acaso, em maio de 2021, a Fiat lançou a versão Trekking do Mobi com a indisfarçável proposta de repetir o sucesso do Argo Trekking, que incorporou em 2019 elementos de estética lameira e tornou-se uma das versões mais procuradas do compacto.

Na linha 2023, apresentada em março do ano passado, o Mobi não teve mudanças – controle de estabilidade e tração e assistente de partida em rampa passaram a ser oferecidos opcionalmente no Pack Safety. Na configuração top de linha Trekking, novos desenhos em preto com detalhes em laranja foram adicionados ao capô e à lateral do hatch. Apa­rentemente, a estratégia de lançar a versão Trekking foi correta e o Mobi tem ganhado posições no ranking nacional de vendas – era o 15º automóvel mais emplacado do Brasil em 2020 e saltou para o nono lugar em 2021, quando surgiu a tal variante com adereços off-road. Em 2022, foram vendidas cerca de 73 mil unidades do Mobi, que colocaram o subcompacto da Fiat na posição de quinto automóvel mais emplacado do país – superado somente pela picape Fiat Strada, pelo hatch Hyundai HB20, pelo hatch Onix e sedã Onix Plus, ambos da GM.

O Mobi tem 3,56 metros de comprimento, 1,66 m de largura, 1,55 m de altura e 2,30 m de entre-eixos. Com somente 969 quilos (na Trekking), é um dos carros mais leves do Brasil. Apesar de estar há seis anos no mercado e não ter grandes mudanças visuais, suas linhas e si­lhueta se mantêm atuais. A frente traz faróis protuberantes que se ligam à grade em preto. A tampa do bagageiro continua a ser em vidro preto – ca­racterística que confere à traseira do subcompacto feito em Betim (MG) aspecto de eletrodoméstico.

O porta-malas é pequeno (215 litros) e o banco traseiro não é bipartido, o que limita as possi­bilidades de rebatimento. Para reforçar a jovialidade da versão Trekking, as barras longitudinais de teto ampliam a altura e tornam o carro mais imponente. A configuração traz capota bicolor, calotas escurecidas, retrovisores com pintura black piano, adesivo preto na coluna do meio do carro e maçanetas na cor da carroceria. Adesivos com gra­fismos que remetem a tatuagens tribais enfeitam o centro do capô e a parte inferior do porta-malas. As rodas de aço estampado de 14 polegadas trazem calotas integrais e são calçadas com pneus com baixa resistência à rolagem 175/65 R14. O subcompacto tem 19 cm de altura livre em relação ao solo.

Na parte interna, o Mobi Trekking traz volante multifuncional, console de teto com porta-objetos, espelho auxiliar e central multimídia UConnect com tela sensível ao toque de sete polegadas, espelhamento de smartphones com Android Auto e Apple CarPlay com projeção sem fio, que pode parear até dois celulares ao mesmo tempo. A tela perso­nalizável exibe controle de todas as funções do veículo, com suporte a múltiplas conexões via Bluetooth e computador de bordo. A configuração conta ain­da com sensor de pressão dos pneus e porta-malas com tapete em carpete. Traz só airbags obrigatórios frontais (motorista e passageiro).

As duas opções da linha Mobi – além da Trekking, há também a básica Like – são movidas pelo mesmo motor, o veterano 1.0 Fire Evo Flex aspirado com 74 cavalos de potência com etanol e 9,7 kgfm de torque a 3.850 rpm, sempre associado ao câmbio manual de cinco velocidades. Segundo a Fiat, o hatch acelera de zero a 100 km/h em 13,8 s e pode chegar a 152 km/h.

Segundo o Inmetro, o Mobi tem consumo urbano de 13 km/l com gasolina e de 8,9 km/l com etanol e rodoviário de 14,1 km/l e de 10,1 km/l, respectivamente, números que se traduzem no con­cei­to A em termos de consumo.

O preço do Mobi Trekking começa em R$ 70.990 (no Estado de São Paulo, onde o ICMS é mais elevado, parte de R$ 72.900), exatos R$ 3,5 mil a mais que a versão de entrada Like. Todavia, o preço inicial só vale para a carroceria na cor Preto Vulcano. Nas sólidas Branco Banchisa e Vermelho Montecarlo (a do modelo testado), ambas com teto preto, o preço inicial sobe R$ 850. Na perolizada Cinza Strato, também com teto preto, o aumento é de R$ 1.200, e na metálica Cinza Silverstone, sempre com teto preto, a fatura aumenta em R$ 1.750.

O Mobi Trekking ainda pode ser incrementado com três pacotes opcionais. O Pack Safety acrescenta controle de estabilidade e de tração e Hill Holder (assistente de partida em aclive) e custa R$ 700. No Pack Style II, por R$ 2.200, são incluídos re­trovisores externos elétricos com Tilt Down e luzes indicadoras de direção e rodas de liga leve. O Pack Top agrega faróis de neblina, volante com regulagem de altura, cintos dianteiros com regulagem de altura, comando interno do porta-malas e do tanque de combustível, alarme e rodas de liga leve escurecidas, por R$ 3.800.

Limites de espaço

Em um subcompacto, os espaços a bordo previsivelmente são limitados. No Fiat Mobi, os ocupantes dos bancos dianteiros até se acomodam bem, mas o espaço é bastante comedido no traseiro. Pelo menos há facilidade no acesso, devido ao bom ângulo de abertura das portas traseiras (75º). Há nichos para armazenar pequenos objetos no console central, nas portas dianteiras e no console de teto – de série na versão Trekking. A decoração dos bancos de tecido com pespontos em branco é outro detalhe que diferencia a versão. Há plásticos rígidos por toda parte no habitáculo, mas possuem textura agradável.

A central multimídia de sete polegadas U­Con­nect ado­tada no Mobi Trekking é a mesma que equipa as picapes Toro e Strada, ambas da Fiat. A interatividade do usuário com o veículo é aprimorada por meio das funções de na­vegação de Waze e Google Maps, música (streaming/MP3), reconhecimento de voz (Siri/Google Voice), leitura e resposta de mensagem sem uso das mãos para SMS e WhatsApp e integração com calendário.

Como o habitáculo é pe­queno, o ar-condicionado consegue re­frigerar rapidamente o ambi­en­te. O porta-malas com ca­­pacidade para 215 litros é pro­­­por­cional ao por­te do carro.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR

Com seu veterano motor aspirado 1.0 Fire Evo Flex capaz de gerar 74 cavalos de potência e 9,7 kgfm de torque com etanol, o “carrinho” não chega a empolgar em termos de esportividade, mas se mostra ágil na maioria das situações no trânsito urbano. Pesar somente 969 quilos certamente traz vantagens tanto no desempenho quanto na economia de combustível. Nas subidas íngremes, principalmente se o subcompacto estiver cheio, é necessário reduzir marchas e acelerar forte para manter o embalo.

O Mobi era bem mais ins­tigante de 2017 a 2020, quando usava o motor Firefly, com 5% a mais de potência e 15% a mais de torque – e ainda era mais econômico. Na linha 2023, o motor Fire recebeu evoluções tecnológicas para melhorar sua eficiência.

Os 3,56 metros de comprimento e 1,68 metro de largura do Mobi fazem o car­ro caber em qualquer vaga ruim. Apesar de a direção ser hidráulica e não contar com assistência elétrica, o baixo peso do carro permite que o volante seja movimentado sem grande esforço nas manobras. Em um país onde muitas cidades têm condições de tráfego semelhante às das tri­lhas – com buracos, valetas e lombadas –, os 19 centíme­tros de altura em relação ao solo e o ângulo de entrada de 24º representam algu­ma vantagem. Porém, situações de off-road real devem ser evitadas, pois os finos pneus de 14 polegadas não colaboram para isso.

No uso rodoviário, a trepidação e o ruído do motor desestimulam velocida­des de cruzeiro ele­vadas. Às vezes, falta fôlego ao conjunto motor-câmbio quando é preciso esticar as marchas, o que exige atenção nas ultrapassagens. O câmbio manual de cinco marchas é pouco preciso e o curso é um tanto longo, mas ao menos os engates são macios. (LHMP)

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