Economia, Notícias

Micro e pequenas empresas do ABC têm 22ª queda consecutiva no faturamento

A reação da economia expressa em alguns indicadores ainda não chegou às micro e pequenas empresas (MPEs) do ABC. Prova disso é que, em termos reais (descontada a inflação), o faturamento do se­tor caiu 16,2% em feve­reiro na comparação com o mesmo mês de 2016.

Trata-se da 22ª retração seguida nesse tipo de comparação, segundo pesquisa realizada pelo escritório paulista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP).

O levantamento mostra que as MPEs da região faturaram, em média, R$ 22.828 em fevereiro, valor 3,4% superior ao apurado no mês anterior. Como, segundo o Sebrae-SP, há 80,6 mil micro e pequenas empresas no ABC, as receitas totais do setor alcançaram R$ 1,84 bilhão.

No acumulado do primeiro bimestre, as vendas somaram R$ 3,6 bilhões, montante 12,1% inferior ao apurado no mesmo período de 2016.

O resultado do ABC foi o pior entre os cinco domínios geográficos pesquisados pelo Sebrae-SP. No Estado de São Paulo, por exemplo, as MPEs tiveram queda de 3,3% no faturamento em fevereiro ante igual mês do ano passado.

O menor número de dias úteis em fevereiro deu a principal contribuição para os re­sultados negativos. Porém, para o Sebrae-SP, o fraco resultado do ABC pode ser explicado também pela maior concentração de MPEs da indústria. No Estado, o setor foi o que teve o pior desempenho em fevereiro (-12,3%).

“A especialização do ABC em indús­trias de maior valor unitário, cujas vendas dependem não só da evolução da renda, como do financiamento, está servindo de freio para a recuperação. Por isso, o processo de retomada modesta verificado em outros locais do Estado ainda não se materializou na região”, comentou Pedro João Gonçalves, consultor do Sebrae-SP.

Gonçalves destacou que as MPEs do ABC têm demorado mais para se recuperar da crise, mas vê uma saída para o setor no crescimento das exportações de veículos. “O aumento no fechamento de contratos de exportação de veículos deve gerar, no primeiro momento, movimento de cadeia nos sistemistas e grandes fabricantes de autopeças e, posteriormente, nos pequenos fornecedores”, disse.

Também contribuem para a recuperação, segundo o consultor, a continuidade da queda da inflação e dos juros.

Ainda segundo a pesquisa, o pessoal ocupado manteve-se estável nas MPEs do ABC na passagem de janeiro para fevereiro, enquanto o gasto com salários caiu 2,3%.

Gonçalves destacou ainda que os micro e pequenos empresários estão mais otimistas. Em março, 34% acreditavam em melhora do faturamento nos próximos seis meses, contra 15% no mesmo mês de 2016. No sentido contrário, a fatia de donos de MPEs que previam piora nas vendas caiu de 31% para 12%.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*